Relatório mostra como o consumo de carne suína e de frango impulsiona a crise climática

Foto: Andrew Skowron

O novo relatório “Mudança climática e crueldade animal”, da Proteção Animal Mundial, que analisa o ciclo de vida do carbono, avalia os impactos ambientais atribuídos à produção em larga escala de carne de suínos e frangos para o consumo humano em quatro dos maiores focos de produção do mundo – Brasil, China, Europa (usando dados dos Países Baixos) e Estados Unidos.

Os resultados demonstram que a expansão agropecuária contínua coloca em risco o cumprimento das metas do Acordo Climático de Paris e um futuro seguro para o clima. A análise conclui que as emissões de carbono para produzir carne de frango nesses quatro focos são equivalentes a manter 29 milhões de carros na estrada por um ano.

As carnes de porco e frango são muitas vezes ignoradas como contribuintes para as mudanças climáticas, já que a ênfase é mais direcionada ao metano que as vacas produzem a partir da digestão e do esterco.

Para identificar como o sistema industrial intensivo de frangos e porcos impacta o clima, a pesquisa considerou todos os recursos que são consumidos para criar os animais nesse sistema, tais como terra para culturas alimentares, pesticidas, fertilizantes, água e transporte.

“Nos quatro focos agrícolas analisados, identificamos que as emissões da produção de suínos superam a de frangos (29 milhões de carros) e equivalem a 74 milhões de carros mantidos na estrada por um ano. Ou seja, as criações intensivas de frangos e suínos em apenas quatro países equivale a mais de um milhão de carros mantidos na estrada por um ano.”

Sobre o relatório, a diretora global de campanhas da Proteção Animal Mundial, Jacqueline Mills, frisa:

“Quando as pessoas pensam nas principais causas das mudanças climáticas, muitas vezes pensam em queimar combustíveis fósseis para fins industriais, energia e transporte. Mas há um culpado climático oculto, e um que pode estar no seu prato – carne de criação industrial.”

O estudo mede como os impactos coletivos na redução do consumo da carne de porco e frango podem ajudar a proteger o planeta. No Brasil, reduzir o consumo de frangos e porcos em 50% até 2040 seria igual a tirar três milhões de carros das ruas.

Comida, não ração

O relatório também aponta que os maiores impactos ambientais e de mudança climática dentro do sistema de criação industrial são gerados pela produção de grãos que são usados para alimentar animais desses sistemas. Isso porque o aumento da demanda global por grãos de ração animal impulsiona o desmatamento, fazendo com que o carbono seja liberado na atmosfera quando as árvores são cortadas e o solo é perturbado pela agricultura.

A pesquisa reforça que usar a terra para cultivar plantações para alimentar animais de fazenda, que eventualmente se tornam alimento para humanos, é uma prática altamente ineficiente e destrutiva.

“A agropecuária – direta ou indiretamente através da cadeia alimentar – é a culpada pela destruição de habitats vitais, pelo deslocamento da vida selvagem, e é a maior causadora de sofrimento animal no planeta. Animais sencientes são privados de qualquer qualidade de vida e, em vez disso, sofrem por toda a vida. Muitos nunca veem a luz do sol, vagam livremente em um campo ou até mesmo têm uma vida livre de dor. Isso é crueldade no seu pior e deve acabar”, comenta Jacqueline.

Para cada 100 calorias de culturas fornecidas aos animais, apenas de 17 a 30 calorias acabam chegando aos humanos em nossa cadeia alimentar. A carne e os laticínios fornecem apenas 18% das calorias totais e 37% das proteínas para os seres humanos, mas usam 83% das terras agrícolas.

Clique aqui para ter acesso ao relatório completo.

Jornalista (MTB: 10612/PR), especialista em jornalismo cultural, histórico e literário e mestre em Estudos Culturais (UFMS).

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