Categorias: Opinião

“Será um choque lembrar que matávamos animais para comer”

Branson lembra que no ritmo atual a produção de carne teria que dobrar nas próximas décadas (Foto: Acervo/Virgin

O bilionário Richard Branson, fundador do grupo Virgin, publicou um artigo falando sobre o futuro da carne. Segundo Branson, em cerca de 30 anos, será um choque lembrar que matávamos animais em massa para comer.

Ele defende que no futuro as carnes baseadas em vegetais e desenvolvidas em laboratório serão a norma: “Em 30 anos, é improvável que tenhamos de matar animais por uma questão alimentar.”

Atualmente o empresário, assim como Bill Gates e a gigante do agronegócio Cargill, é um dos investidores da Memphis Meats, que está desenvolvendo carne artificial. “Dessa forma, não haverá necessidade de alimentar, reproduzir e matar animais”, justifica.

Branson comemora que até mesmo as maiores empresas de carne do mundo, como a Tyson Foods, estão investindo nesse mercado. “Esses investimentos ajudarão os negócios a crescer, o que pode fazer com que a carne artificial se torne mais barata do que a produção convencional de carne.”

Richard Branson enfatiza que a agropecuária contribui muito com o aquecimento global e a degradação ambiental. “É provável que haja uma conversão muito melhor de calorias, [que a carne artificial] use muito menos água e terra e produza até 90% menos emissões de gases do efeito estufa do que a carne produzida convencionalmente”, acrescenta.

O bilionário também tem investido em proteínas de origem vegetal, e destaca que há opções que têm gosto equivalente e até mesmo superior às baseadas em ingredientes de origem animal. “Estão se tornando mais amplamente disponíveis: “Não me surpreende que a indústria de alternativas às carnes e laticínios deva valer US$ 40 bilhões até 2020”.

Branson lembra que no ritmo atual a produção de carne teria que dobrar nas próximas décadas, o que é muito problemático, porque significa ainda mais prejuízos ao meio ambiente, bem-estar animal e saúde humana.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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