Quando o gado foi embora da Amazônia

Mais um angelim-vermelho deitou para abrir espaço para uma nova formação de pasto na Amazônia. No início da noite, toda a mata derrubada emitiu luz invisível ao olho humano, mas não à visão do gado que a percebia à longa distância. A boiada sentiu-se atraída e começou a correr em direção à luz – uma […]

Vida de boi é vida de dor

Corredor no matadouro é estreito. Dá impressão que cabeça de boi está separada do corpo. Parte da frente encostada na de trás. Não do mesmo bicho. Já chamaram de “aperto da morte”, pelo princípio de agonia. Dá ideia de que as paredes vão encostar uma na outra, sobrando no chão só couro, sangue e carne […]

Gado que não valia o matadouro

Esquentou tanto que uma bola de fogo se formou no centro do campo, onde o gado já não pastava porque tinha morrido de fome. Falaram que não valiam o matadouro. “Um tipo de justiça divina”, outros disseram. Arrastei a sola pela terra e pude sentir pedaços de ossos cobertos pela gramínea seca e amarelecida – […]

Bois não sonham em virar bife

Era 1951 na Água do Cedro. Tertuliano tinha chegado há pouco tempo do interior de São Paulo para atuar como motorista de caminhão; buscar mantimentos para três casas de secos e molhados. Era “meio aéreo”, como diziam, e sempre que tinha tempo livre, sentava na cabine do caminhão, apoiado sobre o painel escrevendo em um […]

Senhor Boiada

Caminhão que levava gado para o matadouro tombou na rodovia. Pessoas se aglomeravam em torno dos bois tentando capturá-los e levá-los para casa. Um homem desceu do carro armado e gritou: “Pra lá! Ninguém vai tocar nesses bichos. Vim aqui para colocar ordem na situação.” O revólver rutilava e todo mundo se afastava. Havia grande […]

Boi marcado para morrer

A boiada desceu do caminhão. Alguns animais sentiram cheiro nauseoso e acidulce. Resistiram a entrar em um corredor estreito por onde ninguém retornava. Um dos campônios começou a assobiar para sopitar e docilizar os bovinos. Serenaram. O primeiro da fila manteve olhar hirto e esfíngico em direção ao paroleiro. Nenhuma palavra, nenhum sinal. Se distanciou […]

Tonho o boiadeiro

Tonho abriu os olhos, sentou na cama e observou através da janela o céu revolto e avermelhado na madrugada de domingo. Estranhou o silêncio do galo. Levantou e caminhou até uma pia no canto do quarto. Lavou o rosto, umedeceu os cabelos, ajeitou a barba com as pontas dos dedos e manteve a cabeça baixa […]

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