Animais merecem viver independente de inteligência

Se inteligência é parâmetro de direito à vida, isso significa que seres humanos que nascem com baixo QI também não merecem viver?

Porquinho Nemo que sobreviveu a incêndio: conclusão foi de que sua inteligência justificava sua sobrevivência (Foto: Rick Kintzel/The Morning Call)

Recentemente, 4,6 mil porcos foram mortos em um incêndio em uma fazenda. Encontraram um porquinho vivo em meio aos falecidos. Assustado, ele conseguiu se levantar, correr e se esconder. A conclusão foi de que sua inteligência justificava sua sobrevivência. O animalzinho foi enaltecido como sendo uma criatura “digna de viver”. Diziam que seus olhos transmitiam “esperteza” e “personalidade”.

Esse fato estimula algumas reflexões. Animais, independente de inteligência, merecem ser mortos? Se inteligência é parâmetro de direito à vida, isso significa que seres humanos que nascem com baixo QI também não merecem viver?

Me recordo de uma palestra do Richard Dawkins em que ele dizia que um feto humano manifesta sensibilidade muito inferior a de um bezerro, mas que por este ser animal de outra espécie as pessoas não se importam com seu abate nos primeiros dias de vida.

Enfim, imagine como deve ser morrer carbonizado em um galpão onde você é mantido enclausurado para, em algum momento, ser reduzido a alimento para um ser de outra espécie. De repente, você está diante de um incêndio, provocado por falha humana, e morre da pior forma possível. Mas, ao final, ninguém se lembrará ou resgatará sua história.

As manchetes citarão apenas os prejuízos dos infelizes proprietários que terão de compensar sua morte impondo mais privação e sofrimento a seus semelhantes – que quando não são queimados em vida, são, de alguma forma, queimados e despersonalizados na morte – antes de terem suas partes consumidas.

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