Ativistas defendem o fim dos testes em animais em audiência na Câmara

A ativista e atriz Alexia Dechamps lembrou que hoje em dia já existem alternativas aos testes em animais

“Enquanto estivermos utilizando essas práticas, estamos perdendo mercado, porque muitos países não querem comprar mais do Brasil, assim como pelo uso abusivo de agrotóxicos” (Foto: Reprodução)

Ontem, durante audiência pública da Comissão de Meio ambiente na Câmara dos Deputados, que visava discutir principalmente o uso de cães da raça beagle em testes de segurança de produtos, ativistas defenderam o fim dos testes em animais em cosméticos, agrotóxicos e medicamentos.

A ativista e atriz Alexia Dechamps declarou que já existem alternativas aos testes em animais e destacou que a demora em substituir esses métodos apenas prejudica o Brasil, já que traz inclusive consequências econômicas.

“Enquanto estivermos utilizando essas práticas, estamos perdendo mercado, porque muitos países não querem comprar mais do Brasil, assim como pelo uso abusivo de agrotóxicos”, enfatizou Alexia.

A audiência foi uma iniciativa do deputado Fred Costa (Patri-MG), baseando-se em denúncia feita em março pela organização Humane Society International de que testes em cães estavam sendo financiados pela multinacional Dow AgroSciences para atender as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Após a repercussão de um vídeo denunciando a crueldade da prática, a multinacional reconheceu que os testes em animais não são essenciais e destacou que está trabalhando em pareceria com a Humane Society para que a Anvisa altere os requisitos de testes.

No vídeo divulgado em março, 36 beagles aparecem sendo alimentados à força com altas doses de agroquímicos. A escolha dos beagles é justificada pelo seu comportamento dócil, pela facilidade em confiar nas pessoas.

A Anvisa também foi convidada a participar da discussão, mas não enviou nenhum representante – o que foi considerado pelo deputado Fred Costa como um desrespeito. No entanto, a Anvisa disse à Agência Câmara que a realização dos experimentos é de responsabilidade das empresas e que desde 2015 tem priorizado a substituição dos testes com animais.

Representando o Conselho Federal de Medicina Veterinária, Luiz Cesar da Silva disse ontem que o Brasil está seguindo os países desenvolvidos e reduzindo os testes com animais, porém defendeu que a prática ainda não pode ser abolida por completo. Por outro lado, enfatizou também que os testes em animais não são consenso na comunidade científica.

O deputado Fred Costa lembrou que na Câmara há algumas propostas tramitando que são voltadas ao tema e que é possível compilá-las e elaborar uma proposta que não prejudique seres humanos e ao mesmo tempo garanta a não exploração animal em experimentos e testes. Costa também pediu que a Comissão de Meio Ambiente convoque a Anvisa para dar explicações sobre os testes em animais.

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