
No final de semana, a Bloomberg publicou uma reportagem especial destacando as controvérsias e a ascensão do veganismo na França. Embora os franceses ainda estejam entre os maiores consumidores de carne do mundo, as vendas caíram nas duas últimas décadas, motivadas pelas mais diferentes razões. Preocupações com a saúde e rejeição ao sistema industrial de criação de animais estão entre os principais motivos, além de questões ambientais.
“Os consumidores franceses estão finalmente acordando, décadas depois de todo mundo”, diz o jornalista independente francês Geoffrey Le Guilcher, autor de um livro sobre a realidade dos matadouros e editor de outro sobre o ativismo pelos direitos animais. Uma organização que tem contribuído para a ascensão do veganismo no país é a L214, que surgiu em 2008 e realiza ações com grande apelo popular e visual na conscientização e oferta de evidências contra a exploração animal. Hoje o grupo emprega 40 pessoas e conta com centenas de apoiadores.
A Bloomberg também cita o Greenpeace que tem promovido a inclusão de refeições vegetarianas em instituições de ensino francesas. Atualmente, o consumo anual de carne na França é estimado em 84 quilos por pessoa – um número ainda elevado. Porém, se comparado a 1998 quando o consumo era de 94 quilos, a mudança é considerada bem significativa.
O total de consumidores franceses que estão reduzindo o consumo de carne já chega a 30% e deve continuar aumentando, segundo um estudo do Instituto de Pesquisas Xerfi publicado no ano passado. A proteína vegetal está se tornando um substituto inevitável depois que as vendas nos supermercados subiram 82%, o equivalente a 30 milhões de euros só em 2016; e deve crescer mais 25% ao ano até 2020, de acordo com o grupo Xerfi.
Reconhecendo oportunidades, empresas como a indústria de frios Fleury Michon e a gigante Danone estão investindo na oferta de produtos livres de ingredientes de origem animal na França.