Britânico prepara documentário sobre os efeitos psicológicos do abate de animais

"Espero que esse filme possa abrir os olhos das pessoas para a crueldade contra os animais e para a situação dos trabalhadores"

“O sofrimento experimentado nos matadouros é enorme e claramente negligenciado” (Foto: Animal Equality)

O ativista britânico Jack Hancock-Fairs, criador do canal “Humane Hancock”, no YouTube, está preparando um documentário intitulado “The Dying Trade” que aborda os efeitos psicológicos e fisiológicos do abate de animais.

“Esse projeto tem como objetivo expor o tratamento cruel dado aos animais partindo das vozes das próprias pessoas que o viram com seus próprios olhos e participaram dele com suas próprias mãos”, informa.

O filme, que está sendo financiado por meio de uma campanha no Indiegogo, já conta com um trailer de mais de quatro minutos.

“O sofrimento experimentado nos matadouros é enorme e claramente negligenciado. Espero que esse filme possa abrir os olhos das pessoas para a crueldade contra os animais e para a situação dos trabalhadores dentro das paredes dos matadouros do mundo todo”, reforça.

Trabalhar na indústria da carne é tradição familiar

Na campanha dedicada a arrecadar recursos para o filme, Jack revela que vem de uma família de gerações atuando na indústria da carne. Seu pai ainda trabalha em um matadouro e seu bisavô era proprietário de um açougue chamado “Hancock Family Butcher”.

“Os irmãos de meu bisavô também eram donos de açougues, então trabalhar na indústria de carnes tornou-se uma tradição familiar.”

Ele conta que seu pai nunca conversou sobre a realidade dos matadouros, o que o levou a algumas reflexões.

Como é trabalhar no abate?

“Quem são as pessoas que enfrentam uma realidade sobre a qual a maioria está tão desconectada? Quem são as pessoas que testemunham o abate de animais todos os dias como parte de seu trabalho diário? Como é trabalhar no abate e como isso afeta você psicologicamente?”

Segundo Jack Hancock-Fairs, esse projeto é importante para ele tanto para expor o sofrimento dos animais quanto o tratamento dispensado aos funcionários de matadouros.

“Depois de se encontrar com algumas dessas pessoas, fica claro que a participação contínua no abate de animais pode afetar seriamente a saúde mental e o bem-estar psicológico de uma pessoa.”

1 COMENTÁRIO

  1. Fala-se muito como se pessoas que se preocupam com animais não humanos tivessem uma sensibilidade diferenciada da das demais pessoas, uma que seria mais aguçada.
    Trabalhos como esse ajudarão a enriquecer a discussão dessa questão, na minha opinião, mostrando que essa preocupação não deriva, necessariamente, de uma convicção derivada de um tipo específico de individualidade exposta a determinados argumentos – ao menos, não completamente.
    Quando o filósofo brasileiro Sr. Pondé publicou, novamente, acerca do veganismo, no fim de 2020, refiz uma pesquisa na internet sobre os impactos do trabalho na pecuária industrial nos trabalhadores do setor.
    Encontrei muitas matérias de meios de comunicação de língua inglesa, e estudos científicos no mesmo idioma; quase nada relacionado ao Brasil.
    Embora tenha se tratado de uma pesquisa muito superficial, acredito que mesmo a falta de estudos sobre o tema seja efeito de um ciclo vicioso que parte de uma ciência antropocêntrica ensinada, que resulta em intelectuais que sequer questionam esse antropocentrismo, portanto não o consideram um objeto de estudo ou sequer um ângulo de estudo. Exceção, por certo, até onde eu sei, da Sônia T. Felipe.
    Penso que, mesmo em sociedades em que é cultural tirar a vida de outro ser vivo para se alimentar, tratam-se de processos altamente ritualizados, indicando que não se trata de algo de pequena importância.
    Bem-vindos todos os materiais que investiguem essa questão.

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