Carne gera 35 vezes mais impacto ambiental que vegetais

Segundo estudo, dependendo do sistema de produção, 50 gramas de carne vermelha pode exigir até 100 vezes mais uso da terra do que uma porção de 100 gramas de vegetais

50 gramas de carne vermelha, por exemplo, está associada a 20 vezes mais emissões de gases do efeito estufa (Foto: João Laet /AFP/Getty Images)

De acordo com um estudo da Universidade de Oxford e da Universidade de Minnesota publicado no último dia 12 no periódico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (Pnas), a carne gera 35 vezes mais impacto ambiental do que os vegetais, considerando toda a cadeia produtiva e todos os indicadores.

A pesquisa intitulada “Multiple health and environmental impacts of foods”, e realizada por David Tillman, Jason Hill, Marco Springmann e Michael A. Clark, destaca que 50 gramas de carne vermelha, por exemplo, está associada a 20 vezes mais emissões de gases do efeito estufa e, dependendo do sistema de produção, até 100 vezes mais uso da terra do que uma porção de 100 gramas de vegetais.

O mesmo estudo aponta que alimentos associados a mais ganho em saúde e qualidade de vida – como grãos integrais, cereais, frutas, legumes, oleaginosas e leguminosas – têm impactos ambientais muito mais baixos em comparação com a produção de alimentos de origem animal que já tiveram seus malefícios comprovados há anos – como por exemplo a carne processada.

A pesquisa conclui que ganho em saúde e sustentabilidade ambiental caminham juntos se estivermos dispostos a dar atenção para a importância desse tipo de transição, e destaca a necessidade de consumidores, indústria e políticas públicas voltadas à nutrição considerarem esses aspectos.

“Dieta vegana”, melhor forma de reduzir impacto no planeta

De acordo com o pesquisador da Universidade de Oxford, Joseph Poore, do Departamento de Pesquisa em Meio Ambiente, a agropecuária é responsável por 58% das emissões globais de gases do efeito estufa, que favorecem o aquecimento global e as mudanças climáticas.

Segundo Poore, que publicou no ano passado na revista Science um artigo que é resultado de um estudo que analisou dados de 40 mil fazendas que produzem 40 produtos agrícolas em 119 países, 80% das áreas agrícolas utilizadas atualmente fazem parte do ciclo da agropecuária.

O pesquisador afirma que a produção agropecuária demanda uma grande quantidade de recursos naturais e que o impacto dos produtos de origem animal de menor impacto normalmente excede o de seus substitutos de origem vegetal, fornecendo novas evidências para a importância de uma mudança de hábitos alimentares.

Comparando o impacto da produção de carne bovina com a proteína baseada em vegetais, ele diz que até mesmo a carne orgânica ou considerada sustentável pode requerer 36 vezes mais terra e gerar seis vezes mais emissões de gases do efeito estufa do que a produção de leguminosas como a ervilha, por exemplo.

Poore, defende que uma “dieta vegana” é provavelmente a melhor maneira de reduzir o impacto no planeta, não apenas por causa dos gases do efeito estufa, mas também por causa da acidificação global e eutrofização, além do uso de terra e água.

Para quem se preocupa com o meio ambiente, o pesquisador reforça que é muito melhor abdicar do consumo de alimentos de origem animal do que reduzir viagens de avião ou comprar um carro elétrico:

“Realmente são os produtos de origem animal que são responsáveis por muitos desses problemas. Evitar o consumo desses produtos traz benefícios ambientais muito melhores do que comprar carnes e laticínios sustentáveis”.

Em 2018, o estudo liderado por Joseph Poore, e intitulado “Reducing food’s environmental impacts through producers and consumers”, foi classificado pelo jornal britânico The Guardian como a maior análise já feita sobre os efeitos da produção agropecuária.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here