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China anuncia plano para impulsionar produção de proteínas alternativas

Foto: Paul Yeung/South China Morning Post/Getty

A China divulgou por meio da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma o seu 14º Plano Quinquenal, que terá como uma das prioridades o desenvolvimento de tecnologia voltada à produção de proteínas alternativas.

Conforme o documento, o objetivo é reduzir a pressão da produção de proteína animal sobre os recursos naturais – melhorando a segurança e sustentabilidade do sistema alimentar chinês.

“O governo enfatizou a importância do setor de proteínas alternativas e apoia seu avanço fornecendo apoio a empresas e investidores, e promovendo o desenvolvimento dessa indústria”, afirma Cecilia Zhao, Gerente de Projetos da Lever China, um fundo dedicado ao desenvolvimento do mercado de novas proteínas no país.

“As proteínas alternativas desempenharão um papel fundamental de ajudar o país a alcançar a neutralidade de carbono e a construir um sistema alimentar seguro, e continuaremos trabalhando com startups e empreendedores para acelerar a transição para fontes de proteína mais diversificadas, saudáveis ​​e sustentáveis.”

Há um cenário promissor para empresas dispostas a oferecer produtos que motivem os chineses a mudarem seus hábitos alimentares. No entanto, a transição depende hoje da oferta de opções que estejam o mais próximo possível daquelas com as quais a população já está acostumada.

O que reforça também o potencial do segmento é que uma pesquisa da Future Market Insights (FMI) prevê crescimento de 880% em vendas de “carne de porco vegetal” até 2030 – atingindo valor equivalente a R$ 57,5 bilhões.

Além disso, de acordo com estatísticas da divisão de pesquisa de mercado da Alibaba, a Tmall Inovation Center, de 2019 a 2020 a venda de leites vegetais na China cresceu 800%.

O que tem estimulado esse crescimento são as predileções de consumo da população mais jovem do país, que busca cada vez mais por alternativas não lácteas.

Em um cenário de preocupação com a gripe suína, associada principalmente à criação de porcos em sistema intensivo, a startup chinesa CellX anunciou em 2021 uma seleção de pratos à base de carne de porco cultivada a partir de células.

Como a China é a maior produtora e consumidora de carne suína do mundo, e ao mesmo tempo um dos países mais interessados em proteínas alternativas, a CellX estima que até 2025 suas opções de carne cultivada estarão disponíveis aos consumidores por preços equiparáveis ao da carne convencional.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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