Mercado

China pode reduzir dependência de animais para consumo

Criação de porcos para consumo e mercado popular de animais vivos e/ou reduzidos à carne estão associados à peste suína e ao coronavírus (Fotos: Acervo Wall Street Journal/BBC)

A China pode parecer um lugar improvável de venda de produtos veganos para quem está acostumado a ler notícias sobre a diversidade do consumo de animais no país.

No entanto, é importante considerar a dimensão da China, e o fato de que os hábitos podem variar muito de região para região. Afinal, o país asiático é o terceiro maior do mundo e o mais populoso – com 1,38 bilhão de habitantes – o que equivale a 6,6 vezes a população brasileira.

Crescente interesse por produtos veganos

Com tanta gente vivendo no país que hoje possui a segunda maior economia do mundo, algumas situações tem feito também com que parte da população chinesa reveja seus hábitos. Uma prova disso é o crescente interesse por produtos veganos, também intensificado com a chegada do novo coronavírus.

Startups de alimentos veganos de várias partes do mundo estão de olho nesse mercado. Uma das empresas que tem se beneficiado com essa demanda é a californiana JUST, que criou o “ovo sem ovo”, à base de proteína isolada de feijão-mungo e cúrcuma.

Nas últimas semanas, a startup, que já oferece o JUST Egg no país desde 2019, foi contatada por empresas do governo chinês e grandes fabricantes de alimentos interessados em seus produtos. O CEO Josh Tetrick disse à Bloomberg que eles querem firmar uma parceria.

Preocupação com novas epidemias

O objetivo é reduzir a dependência da China de produtos de origem animal, assim evitando o risco de novas epidemias; até porque o coronavírus intensificou os problemas dos chineses, que já vinham enfrentando dificuldades a partir da propagação da peste suína. 

Essa constatação vai ao encontro do que foi divulgado este mês pela multinacional de serviços financeiros Rabobank, da Holanda. Ou seja, a pandemia está forçando uma redução do consumo de alimentos de origem animal.

Além disso, o mercado de alternativas à carne na China já movimenta 10 bilhões de dólares por ano e tem condições de ir muito além, conforme divulgado pela Rabobank com base em dados da Euromonitor International.

Também há uma estimativa do Instituto de Pesquisas Plant & Food que aponta que antes do surto de coronavírus 39% da população da China já estava reduzindo o consumo de carne – o que é vantajoso para o mercado de alimentos veganos.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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