Chorou pelo dinheiro que perdeu, não pelo rebanho que morreu

O homem caiu de joelhos, lamentando. “Por que, meu Deus? Por quê? Que tragédia! Que tragédia que me abate!"

Foto: Joedson Alves

Um fazendeiro queria ampliar suas terras, mas para isso precisaria derrubar uma grande área de mata ao norte de sua propriedade. Pela manhã, ordenou que seus funcionários começassem a desmatar o mais rápido possível porque um novo rebanho chegaria em breve.

Fez acordo com um grupo de madeireiros para retirar as árvores maiores e mandou “limpar com fogo” as menores e tudo que restou. Era possível ver animais silvestres ao longe abandonando a mata já condenada e a chegada de tudo que não pertencia àquele lugar.

Enquanto a estiagem acelerava a queimada, vórtices de fogo chegaram à propriedade e se multiplicaram, tornando-se impossíveis de controlar, queimando o pasto e todo o rebanho, que gemia tão alto em dor e agonia que os ouvidos do fazendeiro e de todos os peões doeram.

E o fogo continuou, rápido como jamais imaginariam. Engoliu a sede da fazenda e obrigou o fazendeiro e seus homens a abandonarem a propriedade. Apenas um dos bois não teve o couro bastante queimado, mas morreu aos pés do fazendeiro, no primeiro metro fora da fazenda, com expressão de terror e desespero, pés chamuscados e a cabeça cheia de fuligem.

O homem caiu de joelhos, lamentando. “Por que, meu Deus? Por quê? Que tragédia! Que tragédia que me abate!” Os outros não diziam nada. Apenas observavam com surpresa e estranhamento o fogo não ter ido sequer um metro além da fazenda. Não havia medida de contenção para aquele tipo de situação.

O fazendeiro observou à sua volta, não reconhecia aqueles animais. Era como se tivessem jogado um amontoado de coisas queimadas em sua propriedade, “coisas que nunca tiveram vida e que mais do que nunca foram destituídas de valor”. “Isso não parece real…”, pensou sem dizer palavra. Quanto bicho caído, carbonizado e sofrido….

Levantou, virou a cabeça em direção contrária à de seus homens e chorou pelo dinheiro que perdeu, não pelo rebanho que morreu. ”Que prejuízo, meu Deus! Que prejuízo…”

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