“E se você estiver em uma ilha deserta, só você e um porco?”

— Me falaram que você é vegano.

— Sim…

— E isso significa que você não come nada de origem animal?

— Isso mesmo.

— E posso fazer a piada do peixe?

— Não seria muito original, creio eu…

— Ah! Ok…

— Mas e se você estiver em uma ilha deserta, só você e um porco?

— Por que um porco?

— Sei lá, porco, galinha, vaca, avestruz…

— Acho que seria lindo…

— Lindo?

— Sim…

— Mas e a comida? Você teria que comê-lo!

— Por quê?

— Por que só vocês dois estariam lá.

— E quem determinou isso?

— Hã? É uma hipótese.

— Isso significa que tudo desapareceria, as árvores, os frutos, a natureza, todos os tipos de vida, restando enigmaticamente eu e um porco?

— Claro que não.

— Certo. Então em que tipo de ilha isso seria possível? Simplesmente eu e um porco.

— Ah, cara, não complica, né?

— Diga aí, você come o porco ou não.

— Não, hein?

— Mas como você sobreviveria?

— Tem certeza que isso é uma ilha? Não está faltando mais nada para ser uma ilha? Vegetais, por exemplo? Que poderiam servir de alimento tanto para mim quanto para o porco. Se a minha alimentação fora de uma ilha é mais rica em carboidratos do que em proteínas, por que eu iria me preocupar prioritariamente em matar um animal para me alimentar? Você já percebeu o quão clichê é essa ideia de um suposto retorno a um estado pretensamente primitivo em estado de privação? Não estamos na Era do Gelo. Por que o ser humano perdido na natureza deve em primeiro lugar matar animais para se alimentar? Se eu me perdesse em território inuíte inabitado ou em algum lugar perdido ao norte de Oymyakon, talvez eu fosse obrigado a repensar a minha situação, mas qual é a probabilidade disso acontecer? Eu morreria de frio antes.

— Como você é chato, cara! Deus me livre! Esqueça! Esqueça!

— Não, sou apenas vegano mesmo.

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