Como defender a segurança climática ignorando o impacto da pecuária?

Deputados propõem PEC da segurança climática que não cita o impacto da pecuária

Imagem: Grazing the Amazon

Será avaliada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados a PEC 37/2021, que propõe alteração na Constituição para incluir a segurança climática como um direito. No momento, a proposta apresentada por um grande grupo de deputados aguarda nomeação de relator.

É sugerida a inclusão da “manutenção da segurança climática, com garantia de ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas” no artigo 170. Ainda que a proposta seja aprovada e sancionada, alguém imagina o governo adotando na prática medidas para a desaceleração da pecuária?

Isso não é exigido na PEC. Nas 14 páginas do documento, nenhuma vez é citada a palavra “pecuária”. Seria coerente assumir esse compromisso e ignorar que a segurança climática também depende de mudanças no sistema alimentar?

No ano passado, o Observatório do Clima, por meio do SEEG, apresentou dados destacando que a agropecuária brasileira atingiu o maior recorde de todos os tempos em emissões de carbono. Também não é novidade que a pecuária é a atividade que mais impacta de maneira negativa nos biomas brasileiros, não somente na Amazônia. Estudos sobre isso não faltam.

Ainda assim, o Brasil continua entre os países que resistem a abordar politicamente as mudanças climáticas sem ignorar a agropecuária. Até mesmo nos EUA, que também é um dos maiores produtores de proteína animal, há parlamentares que não ignoram a associação com a pecuária.

Então alguém pode citar a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) com 280 parlamentares, que dificilmente deixaria uma PEC que evidencia grandes problemas ambientais desencadeados pela pecuária ser aprovada. Mas eles não foram colocados lá pelos eleitores? A maioria dos eleitores não é pecuarista. Neste caso, o que deve prevalecer?

É mais importante incentivar o aumento da produção pecuária, que representa a intensificação de problemas e riscos ambientais, ou reconhecer que a tradicional cadeia de produção de alimentos de origem animal é insustentável e, portanto, precisamos mudar enquanto podemos?

No Brasil, apoiar a expansão da agropecuária é apoiar a expansão do desmatamento, da destruição de espaços naturais habitados por espécies nativas, do maior uso de recursos naturais que poderiam ser utilizados de maneira mais eficiente na produção de outros alimentos. 

Além disso, vários avisos já foram dados de que a próxima pandemia pode vir da criação de animais para consumo a partir da pecuária. Como duvidar que isso aconteça em um mundo onde são criados e mortos por ano dezenas de bilhões de animais? Há pouco tempo, o IBGE divulgou que o Brasil bateu recorde de abate de animais em 2021. Deveríamos realmente comemorar?

Saiba Mais

Em 2021 foi divulgado um relatório que aponta que a agropecuária está mudando o clima no Brasil – clique aqui para saber mais.

Clique aqui e leia o artigo “Brasil ter mais bovinos do que humanos é preocupante”.

Clique aqui e leia o artigo “Como a agropecuária brasileira está gerando grandes problemas ambientais”.

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