Como me tornei vegano ou vegetariano? – Parte XV

O que será que motivou essa mudança? Há muitas formas de alguém repensar o consumo de animais

Ananta Martins, Luiza May, Philipe Saldanha e Tais Turati Picoli (Fotos: Arquivo Pessoal)

Na série “Como me tornei vegano ou vegetariano?”, o VEGAZETA traz depoimentos de pessoas de várias regiões do Brasil, e também de fora do país, que se tornaram veganas, vegetarianas ou que abdicaram do consumo de carnes. O que será que motivou essa mudança? Uma experiência, uma história, um documentário, um filme, um artigo, um livro? Há muitas formas de alguém repensar o consumo de animais. Hoje, compartilhamos um pouquinho da história de transição de Ananta Martins, Luiza May, Philipe Saldanha e Tais Turati Picoli.

Ananta Martins, de São Paulo (SP):

“Aos dois anos, descobri que era um bichinho o que tinha no meu prato e não quis mais comer carne. Mas meus pais obrigavam a comer o que era posto na mesa. Aos 14 anos, fiquei traumatizada em relação à morte dos animais e decidi me tornar vegetariana (lactovegetariana). Somente 20 anos mais tarde descobri sobre a crueldade maior. Ou seja, como são tratadas as vacas e seus bezerros para a produção de leites e derivados. E foi assim que me vi vegana. Claro, pouco a pouco fui estudando mais a respeito das empresas que fazem testes e/ou apoiam e incentivam touradas e rodeios, entretenimento com o sofrimento dos animais. Conclusão: boicote geral a empresas que lucram com isso. Hoje me dedico aos estudos da filosofia e dos filósofos vegetarianos e faço assessoria para estabelecimentos comerciais para adaptação de receitas veganas. Também organizo eventos e feiras veganas e produzo alguns produtos como manteiga, queijo ralado e outros pratos veganos.”

Luiza May, do Rio de Janeiro, (RJ):

“Sempre fui muito ligada à causa animal, praticamente desde os cinco anos de idade. Cresci em meio a cachorros e gatos abandonados que meu avô cuidava. Mas é aquilo, somos acostumados a nos compadecer de animais do nosso maior convívio e ignorar o sofrimento daqueles com quem não temos contato. Desde que me entendo por gente tenho muita repulsa por consumir carne vermelha. Faz pouquíssimo tempo que resolvi retirar de vez o frango e o peixe da minha alimentação também. Mas já era meu objetivo faz tempo, ainda mais tendo formação suficiente, já que sou nutricionista, pra saber que não há necessidade do consumo de nada de origem animal na nossa alimentação.”

Philipe Saldanha, de Fortaleza (CE):

“Fui influenciado por dois documentários. Primeiro foi o ‘Dominion’. No dia seguinte, assisti ‘Terráqueos’ e minha vida mudou a partir daí. Isso foi em novembro do ano passado. Acredito no poder de transformação da arte, e que por meio do cinema, do teatro, da música e da literatura, a gente pode fortalecer essa conscientização e essa mensagem em defesa dos animais. Não me considero ativista ou militante (ainda), mas uso o Instagram como plataforma para me informar e fazer mais gente despertar para a causa animal.”

Tais Turati Picoli, de Espírito Santo do Pinhal (SP):

“Minha filha havia ficado um ano sem ingerir carne, acabou voltando, mas comia muito contrariada e sempre me mandava links a respeito do assunto. Me formei em medicina veterinária no ano passado e ficava abismada com a naturalidade com que as pessoas lidam com a indústria animal. Certo dia, minha filha me fez assistir ao documentário ‘O que é Saúde?’ e depois ‘Terráqueos’. A partir daí, parei de preparar carne em casa. Meu marido surtou, mas não voltei atrás. Minha filha mais nova aderiu super bem. Já se passaram cinco meses e eu e minhas filhas não comemos mais carne. Meu marido come na rua porque em casa não faço nem sob tortura. Porém, ainda preciso evoluir, porque nos finais de semana ou em reuniões comemos coisas com queijo ou ovos. Mas na minha casa tudo que faço é vegano. O mais difícil é lidar com a família, que pergunta por que não comemos. Eles acham que é exagero, mas não é. Aos poucos estamos caminhando para o veganismo. Estou feliz pela minha mudança e das minhas princesas. Animais são amigos, não comida.”

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