Deputado questiona Ministério da Agricultura sobre aprovação de agrotóxicos que exterminam abelhas

“No primeiro trimestre deste ano de 2019, o sulfoxaflor, aprovado para comercialização no Brasil, causou a morte de 500 milhões de abelhas em quatro estados brasileiros quando estava em fase de testes"

“O sulfoxaflor está presente em seis dos sete agrotóxicos novos aprovados para registro pelo Mapa em julho” (Fotos: Getty)

No último dia 7, o deputado federal Jesus Sérgio (PDT-AC), enviou um requerimento ao Ministério da Agricultura pedindo esclarecimentos sobre a aprovação e registro de novos agrotóxicos que favorecem o extermínio de abelhas.

A iniciativa veio após publicação no Diário Oficial da União de 22 de julho de que mais 51 agrotóxicos foram aprovados para uso em todo o Brasil. Do total, 44 genéricos e com princípios ativos já autorizados e sete novos – um herbicida e seis inseticidas. Estes contêm o ingrediente ativo sulfoxaflor, utilizado no controle de mosca-branca, pulgão e psilídeo.

No entanto, o sulfoxaflor é apontado como responsável pelo extermínio de até 54% da população global de abelhas, segundo estudo da Universidade de Londres. “32% dos produtos que tiveram registro aprovados pelo Ministério da Agricultura este ano e que estão sendo usados nas lavouras em todo o país, são proibidos nos países da União Europeia. E 18 desses produtos são considerados altamente tóxicos”, enfatiza o deputado.

De acordo com Jesus Sérgio, insetos importantes para o ecossistema e até mesmo para a agricultura – já que naturalmente realizam a polinização das plantas – como as abelhas, mamangavas e outros besouros, estão sendo mortos pelo uso excessivo de agrotóxicos.

“No primeiro trimestre deste ano de 2019, o sulfoxaflor, aprovado para comercialização no Brasil, causou a morte de 500 milhões de abelhas em quatro estados brasileiros quando estava em fase de testes. O sulfoxaflor está presente em seis dos sete agrotóxicos novos aprovados para registro pelo Mapa em julho”, aponta.

E acrescenta: “Os números mostram que o Ministério da Agricultura vem aprovando registros de agrotóxicos num ritmo acelerado este ano, maior que em muitos anos anteriores [foram 290 registros em 2019]. Vidas humanas, de animais e insetos importantes para o equilíbrio do meio ambiente e até da produção agrícola, é o preço que o Brasil está pagando para aumentar o lucro dos grandes produtores rurais.”

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