Categorias: NotíciasPolítica

Deputados exigem mais apoio à pesca esportiva

Nishimori e Barbudo são autores de propostas em defesa da pesca esportiva (Fotos: Pablo Valadares/Will Shutter/Câmara dos Deputados)

O Projeto de Lei 618/2019, do deputado federal Luiz Nishimori (PSD-PR), que exige mais apoio à pesca esportiva, precisa ser aprovado por apenas mais uma comissão da Câmara.

A proposta já foi aprovada por duas comissões – Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Na primeira, os deputados aprovaram o parecer favorável à pesca esportiva do relator Pedro Lupion (PP-PR). Na segunda, outra posição favorável endossada pelos deputados veio do relator Airton Faleiro (PT-PA).

Atualmente a proposta aguarda avaliação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, assim como o Projeto de Lei 2877/2019, de Nelson Barbudo (União-MT), que também defende mais apoio à pesca esportiva e foi apensado ao PL 618/2019.

Chama atenção o projeto de lei de Barbudo ter redação idêntica à da proposta de Luiz Nishimori. Tanto no primeiro quanto no segundo PL é alegado que a pesca esportiva é “atividade ecologicamente correta”.

“A enorme biodiversidade de peixes e a variedade de ambientes de pesca (bacias hidrográficas, lagos, reservatórios de hidrelétrica e mais de oito mil quilômetros de costa) confere ao Brasil um enorme potencial para atrair pescadores do mundo inteiro. A atividade carece, entretanto, de apoio governamental e normas específicas que possibilitem a plena organização do segmento”, consta tanto no PL de Nishimori quanto no de Barbudo.

Eles também afirmam que a pesca esportiva possibilita a geração de renda por meio de turismo sustentável nas regiões menos desenvolvidas do país. “Como exemplo, citamos o Estado do Amazonas, no qual a atividade de pesca esportiva movimenta cerca de R$ 70 milhões ao ano, sendo cerca de R$ 10 milhões apenas no município de Barcelos.”

Por outro lado, a proposta é polêmica porque a pesca esportiva resume-se em retirar um peixe da água, causando-lhe ferimento, para devolvê-lo ao seu habitat, e apenas por entretenimento.

Nelson Barbudo argumenta que a prática “contribui para divulgação dos benefícios que a atividade traz para a preservação do meio ambiente”. Porém, a atividade é mais benéfica para o meio ambiente do que se não houvesse esse tipo de interferência que nada mais é do que um hobby, uma atividade humana não essencial?

Saiba Mais

Quando um projeto é apensado sua tramitação ocorre de forma simultânea à da proposta principal.

Clique aqui para opinar sobre o projeto de lei

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

1 semana ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

1 mês ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 meses ago