Destaques

Dia Mundial pelo Fim do Especismo destaca importância do veganismo

Foto: Andrew Skowron

Neste sábado (28) é celebrado o Dia Mundial pelo Fim do Especismo, data que destaca a importância do veganismo como meio de combate à exploração de animais para consumo, entretenimento, transporte ou qualquer outra finalidade.

Cunhado pelo psicólogo britânico Richard D. Ryder em 1970, o termo especismo se refere a uma forma de discriminação que se baseia no fato de que por considerar outros seres sencientes inferiores o ser humano ignora seus interesses em não sofrer.

Afinal, se não fosse pela crença de que podemos usar os animais como quisermos, não ponderando sobre o mal que causamos às outras espécies, não teriam sido mortos nos matadouros do Brasil, por exemplo, 6,037 bilhões de frangos, suínos e bovinos somente em 2020, conforme dados coletados pela Vegazeta junto ao IBGE.

Sem dúvida, um número já elevado, que equivale a 28 vezes a população brasileira em quantidade de indivíduos, e sem considerar outros animais, como os peixes – que são as maiores vítimas do sistema alimentar global.

É chocante saber que o Brasil manteve uma média mensal de 503 milhões de animais abatidos em 2020 – chegando a 16,76 milhões por dia e mais de 698 mil por hora. Para não fortalecer essa cadeia de violência nem contribuir com sua manutenção é preciso despertar para o imperativo moral que preconiza o veganismo.

Sempre podemos mudar

Ou seja, rejeitar a ideia de que animais são produtos, bens móveis, meios para um fim e não devem ser considerados moralmente. Afinal, se fossem, não seriam explorados nem mortos em nosso benefício. Se isso acontece é porque não os reconhecemos como sujeitos de uma vida, como já ressaltava o filósofo moral Tom Regan.

Mas sempre podemos mudar e apresentar razões para motivar os outros a fazerem o mesmo – o que também justifica a existência das manifestações globais do Dia Mundial pelo Fim do Especismo.

E claro, benefícios não faltam para ser vegano, já que estender empatia e respeito a outras espécies, incluindo-as em nosso círculo moral, além de beneficiá-las, contribui com a diminuição do impacto gerado no planeta por meio da agropecuária e da pesca comercial.

No Brasil, manifestações do Dia Mundial pelo Fim do Especismo foram confirmadas para o domingo (29) no Rio de Janeiro e em São Paulo pelos grupos Direct Action Everywhere (DxE) e Vozes em Luto.

Clique aqui para ter acesso à agenda.

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

2 dias ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

1 semana ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

2 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

3 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago