Em tempos de coronavírus, considere o veganismo

Não seria muito mais fácil se tomássemos a decisão de não interferir de maneira negativa na vida dos animais em geral?

Momento é de refletir sobre a forma como tratamos não apenas animais silvestres, mas também domesticados (Foto: Acervo/Animal Equality)

Qualquer pessoa que faça uma rápida pesquisa sobre a origem de pandemias como a covid-19, logo descobre que esse tipo de doença zoonótica é uma consequência da nossa interferência no habitat e nos ciclos de vida das espécies silvestres.

Esse tipo de má intervenção não existiria se nossa intenção não fosse degradar espaços naturais para algum fim ou explorar esses animais com qualquer finalidade de subjugação e consumo.

Banir mercados de animais silvestres não é suficiente

Hoje se fala muito nos mercados de animais silvestres na China, que estão sendo afamados como facilitadores da proliferação de vírus e “criadouros de doenças”.

Por outro lado, apenas banir esses mercados em todas as partes do mundo não resolve um problema muito mais amplo – que é a necessidade da não exploração de animais.

Há uma discussão com muitas lacunas sobre hospedeiros e transmissores – como se fosse mais fácil encontrar dois animais para serem responsabilizados como primeiro transmissor e segundo transmissor – e então colocá-los em uma lista de criaturas com que devemos evitar contato.

Não devemos interferir de maneira negativa na vida dos animais

No entanto, a história de outros tipos de coronavírus e doenças zoonóticas mostra que diversos animais já foram hospedeiros e transmissores, e há fatores incertos ainda sobre o potencial de migração de novos patógenos para outros animais e seres humanos – o que apenas agrava a situação.

Considerando tais variáveis, e tantos recursos investidos em encontrar um responsável para a covid-19, que na realidade é a própria humanidade, não seria muito mais fácil se tomássemos a decisão de não interferir de maneira negativa na vida dos animais em geral?

Acredito que tudo que estamos aprendendo neste período reafirma cada vez mais a necessidade de repensarmos nossa relação com os animais e com o meio ambiente.

Sempre queremos encontrar um culpado não humano

Morcegos, pangolins, dromedários, civetas, sapos e cobras são apenas alguns animais a quem já atribuímos alguma responsabilidade sobre algum tipo de coronavírus que a humanidade semeou nas duas últimas décadas.

E quando este novo coronavírus for controlado, que garantia temos de que não surgirão outros enquanto continuarmos explorando e interferindo na vida de outras espécies? Isso não se limita às espécies silvestres ou selvagens domesticadas, mas se estende também àquelas que modificamos geneticamente com fins de consumo.

Afinal, doenças zoonóticas estão surgindo cada vez mais em um mundo onde amontoamos, em algum momento ou a vida toda, até 72 bilhões de animais terrestres que serão mortos com fins de consumo ao ano, e isto citando apenas bovinos, suínos e galináceos.

Quantos coronavírus surgirão até 2050?

Se esta realidade preocupante já se tornou parte do nosso cotidiano, o que podemos esperar para 2050, quando teremos mais dois bilhões de pessoas no mundo? Ou seja, mais indivíduos vivendo próximos uns dos outros e um volume muito superior de animais criados para consumo.

Para chegar nisso, a agropecuária, que hoje ocupa 77% das áreas agricultáveis do mundo, tenderá a degradar ainda mais espaços naturais sob o pretexto de fornecer alimentos, que sabemos que serão destinados somente a quem tem poder de compra.

Nesse caminho, é difícil não suspeitar que em 30 anos ainda poderemos lidar com muitos outros tipos de coronavírus e, quem sabe, muito mais letais e agressivos do que os atuais.

Precisamos parar de tratar animais como produtos

O que reforça tal conclusão é que muitos de nós estão ouvindo falar do coronavírus pela primeira vez, e não porque não existiram outros, mas sim porque não tivemos nenhum tão letal até agora. Mas o que podemos fazer para evitar isso?

Considerar o veganismo e pararmos de tratar animais como produtos e ampliarmos a produção de proteínas de origem vegetal que, como já defendido pela ONU, Universidade de Oxford e muitas outras instituições de ensino e organizações, demandam áreas muito menores do que a agropecuária, e com maior potencial de chegar àqueles que vivem a realidade da fome e da miséria.

Caso queira dados sobre as afirmações feitas no artigo de opinião, você pode encontrá-las aqui. 

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