Personagens

Ex-trabalhador da indústria suína relata crueldade por trás do bacon

“Olho para trás agora e me assusta a maneira como pensamos sobre isso. Não é normal. Muitas das memórias não são boas” (Imagens: PETA/Andrew Skowron)

Aos 16 anos, Justin Reineke começou a trabalhar em uma fazenda de criação de porcos em Steinbach, na província de Manitoba, no Canadá.

Com o tempo, e refletindo sobre a realidade dos animais enviados para o abate, ele decidiu pedir demissão e se tornar vegano e ativista.

A sua história foi registrada em vídeo pela organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA) e disponibilizada no YouTube.

Reineke conta que na região de Steinbach é comum os mais jovens trilharem esse caminho porque a economia baseada na criação de porcos é muito forte. Então acaba sendo mais fácil ignorar a realidade da violência contra os animais.

“Olho para trás agora e me assusta a maneira como pensamos sobre isso. Não é normal. Muitas das memórias não são boas”, diz.

Dentes serrados com dois dias

Segundo Reineke, leitões com apenas dois dias de idade têm seus dentes serrados com cortadores elétricos. Sem treinamento veterinário, também é comum os trabalhadores amputarem as caudas dos porcos usando tesouras para jardinagem aquecidas.

Justin Reineke cita ainda que na área destinada às porcas prenhas, ele encontrava leitões doentes esmagados – o que se repetiu também em outras fazendas em que trabalhou.

Filhotes enfermos são mortos na suinocultura porque demandam despesas ou não são considerados boas fontes de carne – então avalia-se a relação custo-benefício em primeiro lugar.

Reineke frisa que é fácil ganhar a confiança dos porcos e que é triste reconhecer que a redução de suas vidas a pedaços de carne é o destino de animais tão curiosos e felizes.

Mantidos em confinamento até o dia em que serão mortos

“Você cria essa confiança e depois tira. Esses porcos são mantidos em confinamento até o dia em que serão mortos, porque são apenas máquinas de dinheiro para a indústria de suínos”, lamenta.

Hoje, Justin Reineke, que assim como a esposa Carolina Valenzuela vive o veganismo, é um dos coordenadores do movimento em defesa dos animais Anonymous for the Voiceless Winnipeg.

“Sinto que outros trabalhadores do setor [indústria suína] não estão se manifestando. Por causa das pressões sociais da família e dos amigos. Acho que quando falo ajuda a facilitar o compartilhamento de suas histórias. Ao relatar ao público o que passei, isso pode realmente ajudar as pessoas a abrirem os olhos para algumas das crueldades que estão acontecendo”, destaca.

Saiba mais sobre a realidade da criação de porcos – clique aqui. 

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David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

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