Opinião

Exploração de galgos, patrimônio cultural de Uruguaiana (RS)

Corridas impõem rotinas extenuantes e sofrimento aos animais, assim reduzindo suas expectativas de vidas (Foto: RC/Getty)

Em Uruguaiana (RS), a exploração de galgos será elevada a patrimônio histórico-cultural da cidade sob a justificativa de que a prática “faz parte da tradição de Uruguaiana”, onde as corridas de galgos começaram em 1974 no Jockey Club.

A proposição do vereador Fernando Tarragó (PSD), aprovada ontem (28) na Câmara Municipal, foi bem recebida por quem lucra com essa atividade – como os criadores de cães da raça galgo e também aqueles que investem nessas corridas. No entanto, reprovada por defensores dos animais que a qualificam como um desrespeito à dignidade não humana, já que as corridas impõem rotinas extenuantes e sofrimento aos animais, assim reduzindo suas expectativas de vidas.

Em países como Estados Unidos, Itália, França, Argentina e Uruguai, entre outros, a corrida de cães já foi proibida como resultado do clamor popular. E não sem motivo. Os filhotes que passam pela primeira seleção de padrão da raça, que avalia características físicas e habilidades para corrida ou caça, são treinados com “iscas vivas” como lebres ou gatos.

Aqueles que não forem aprovados nessa triagem podem acabar abandonados, mortos ou doados para pessoas que desconhecem as necessidades desses animais. Outro problema é que há galgos utilizados em corrida que são mantidos em pequenos espaços e isolados de outros cães e do contato humano – sendo retirados de cativeiro apenas para treinamento.

Há inúmeros relatos, tanto de testemunhas residentes no Sul do Brasil quanto em Minas Gerais, de que não é raro manter os galgos confinados no escuro por longos períodos porque isso faz com que acumulem muita energia, fiquem ansiosos e em estado de alerta quando são libertados – o que é visto como uma “vantagem” por quem usa esses animais em corridas ou caçadas.

Outras práticas incluem treinamento em que são presos a correias e obrigados a correrem ao lado de carros. Também podem ser condicionados a percorrerem linhas retas por até 400 metros atrás da chamada “bruxa”, que consiste em um pedaço de pano com cheiro ou pedaço de pele de lebre morta.

Como os treinamentos são exaustivos, os galgos desenvolvem problemas ósseos, articulares e musculares. Além disso, há inúmeros casos em que os animais são submetidos ao uso de drogas que visam melhorar o rendimento na corrida, o que gera problemas no fígado, coração, rins e pulmões.

David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

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