Flexitarianismo estaria ajudando a ampliar o sofrimento das galinhas no Reino Unido

Consumidores que optaram pelo flexitarianismo estão reduzindo o consumo de carne, mas consumindo mais ovos

Com o aumento da demanda por ovos, o sistema intensivo, que é mais cruel com as galinhas, tende a prosperar (Foto: British Hen Welfare Trust)

As vendas de ovos no Reino Unido ultrapassaram os 13 bilhões pela primeira vez desde a década de 1980, de acordo com informações do British Egg Industry Council (BEIC) divulgadas pelo jornal britânico The Independent.

O conselho sugere que o aumento das vendas pode estar relacionado com o aumento de pessoas adotando uma dieta flexitariana. Pelo menos no Reino Unido, os consumidores que optaram pelo flexitarianismo estão reduzindo o consumo de carne, mas consumindo mais ovos, segundo o BEIC.

O problema, caso o consumidor esteja preocupado com o impacto ambiental do consumo de carne ou em minimizar a contribuição à exploração animal, é que a maior parte dos ovos produzidos e comercializados no Reino Unido são provenientes de granjas industriais, assim como ocorre no Brasil. E esse sistema não é nada sustentável ou benéfico ao meio ambiente.

Segundo a Agência Ambiental, em todo o Reino Unido, apenas 12 condados não contam com galinhas criadas em regime intensivo. A informação também foi compartilhada pelo jornal britânico The Guardian. Ou seja, normalmente as poedeiras são confinadas em gaiolas de bateria, onde há pouco espaço para realizarem movimentos naturais – o que acaba gerando desconforto e sofrimento aos animais, além de favorecer o surgimento de doenças e o uso frequente de antibióticos.

O Guardian também apontou no final do mês passado que uma pesquisa recente revelou que um terço dos britânicos está pelo menos reduzindo o consumo de carne, mas não na mesma proporção de outros alimentos de origem animal, o que pode explicar a marca de mais de 13 bilhões de ovos vendidos em 2018 no Reino Unido.

E com o aumento da demanda por ovos, as granjas industriais tendem a prosperar, já que condiciona as galinhas a produzirem mais ovos em um período de tempo menor do que as poedeiras criadas em outro sistema. Afinal, a criação de animais em regime intensivo surgiu exatamente para suprir a alta demanda por alimentos de origem animal, uma lacuna que jamais seria suprida por outro sistema que utiliza animais como fonte de produtos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here