Fotojornalistas preparam livro que expõe massacre animal

"HIDDEN" apresenta a violência diária e massiva por trás das nossas relações de consumo baseadas na subjugação de outras espécies

Fotos de Aitor Garmendia, Luis Tato, Selene Magnolia, Andrew Skowron e Paul Hilton estão no livro “HIDDEN”

Trinta fotojornalistas estão participando de um livro coordenado pela canadense Jo-Anne McArthur, idealizadora do projeto We Animals. Com o título “HIDDEN: Animals in the Anthropocene”, a tocante obra que está em pré-venda no Indiegogo expõe o massacre de animais de diferentes espécies para consumo, entretenimento e outros fins.

Konrad Lozinski registra imagens de pintinhos machos que serão mortos na indústria de ovos. Os machos são descartados porque não botam ovos e não têm a genética dos frangos que interessam à indústria da carne

A intenção é lançar luz sobre tantas criaturas sencientes que parecem invisíveis aos nossos olhos. Além de Jo-Anne, participam do livro os fotojornalistas Aitor Garmendia, Andrew Skowron, Selene Magnolia, Luis Tato, Paul Hilton, Konraz Lozinski e Jan Van Ijken, entre outros que já desempenham trabalhos conhecidos denunciando a crueldade animal.

Jan Van Ijken mostra um pintinho sobre a máquina utilizada para matar animais como ele

“Minha visão para este novo livro inovador foi inspirada na fotografia de guerra que moldou a história. Imagens de conflito e sofrimento sempre desempenharam um papel crucial na exposição de atrocidades e na galvanização das massas. Bilhões de animais sofrem desnecessariamente a cada dia dentro dos espaços que construímos. Acreditamos que agora é a hora de testemunhar isso”, defende Jo-Anne McArthur.

Violência por trás do consumo de animais captada por Jo-Anne McArthur

Compromisso é sensibilizar a partir de histórias reveladoras

No livro que tem um caráter documental, histórico e memorial, o compromisso é sensibilizar a partir de histórias reveladoras e brutais; da reafirmação de que os animais são as grandes vítimas do nosso sistema de consumo que, hoje mais do que nunca, impacta na vida de outras espécies e na nossa, além do meio ambiente.

“Eles são os animais que comemos e vestimos. Os animais que usamos para pesquisa, trabalho e entretenimento, bem como os animais que sacrificamos em nome da tradição e da religião”, reforça Jo-Anne, acrescentando que “HIDDEN” precisa chegar ao maior número possível de pessoas.

Quem assina o prefácio do livro, que está sendo produzido a partir de uma campanha de financiamento coletivo, é o ator e ativista vegano Joaquin Phoenix.

Conheça três participantes do livro:

Jo-Anne McArthur

Talvez você já tenha visto uma ou várias imagens registradas pela fotógrafa e ativista canadense Jo-Anne McArthur, idealizadora do projeto We Animals. Muitas das fotos de maior repercussão internacional sobre a realidade dos animais explorados para consumo e usadas por grupos e organizações em defesa dos animais foram tiradas por ela.

O seu trabalho à frente do We Animals se pauta em mostrar a privação e o sofrimento dos animais a partir de uma perspectiva sensível e íntima, que busca despertar a identificação do espectador e levá-lo a refletir sobre o papel do ser humano como responsável e cúmplice da crueldade contra seres não humanos.

As imagens de Jo-Anne, que é natural de Ottawa, em Ontário, já foram publicadas na National Geographic, Elle, Canadian Geographic, Days Japan, Helsingin Sanomat, Photolife, The Huffington Post e em muitos outros veículos.

Atualmente o seu trabalho registrando a exploração de animais em todo o mundo tem colaborado com mais de cem organizações em defesa dos animais. Um dos diferenciais da canadense está no fato de que ela não apenas registra a violência contra seres vulneráveis, mas traz as histórias de seus personagens não humanos em suas imagens.

Jo-Anne se empenha em captar o estado e o sentimento de cada animal objetificado em situações de privação e degradação. Ela não quer que sejam apenas imagens explícitas e chocantes, mas também ternas, assim lançando luz sobre o invisível, mas renitente vácuo que, por uma questão de distanciamento e hábito, faz com que as pessoas encarem os animais não humanos como objetos ou meios para um fim.

Aitor Garmendia

Tudo que consumimos tem uma história e, quando se trata de alimentos de origem animal, é impossível não reconhecer que não há carne sem morte, e a subtração da vida de quem não quer morrer é uma obliteração contra a sua própria vontade em não ceder.

Reconhecendo isso, o fotojornalista Aitor Garmendia criou o projeto “Tras Los Muros”, que traz séries fotográficas que mostram a realidade por trás de muito do que é consumido pela humanidade sem a consideração de seu impacto.

“Mais do que credos, modelos de organização política, ou cultura, em toda a sociedade os animais são oprimidos e submetidos a uma violência sem limites”, destaca Garmendia, acrescentando que o tempo todo animais são mercantilizados e submetidos a tiros, esfaqueamentos, eletrocussões, confinamento e outros tipos de violência.

A crença de que o “sacrifício (não humano) vale o benefício” é o imperativo desse universo de subjugação não humana. Para Aitor Garmendia, expor a violência vivida no cotidiano pelos animais é uma forma de descortinar a ilusão propagada pelas campanhas publicitárias, embora seja importante também reconhecer que com um pequeno esforço, todos podemos ter uma ideia do que passam os animais em diversos contextos.

Em “Tras Los Muros”, o fotojornalista expõe a violência associada à percepção individual de cada criatura diante da privação, sofrimento e morte. Expressões carregadas de terror, medo e desespero evidenciam tanto a capacidade emocional dos animais, que podem transitar por um turbilhão de sensações e emoções, quanto seu poder de rejeição à situação, ainda que incapazes de fazer prevalecer qualquer vontade.

Andrew Skowron

Um olhar sensível que origina fotos que captam o impacto de nossos hábitos de consumo baseados na exploração de animais pode permitir uma nova percepção.  Foi por reconhecer esse poder da fotografia que Andrew Skowron passou a utilizar uma câmera como sua principal ferramenta de ativismo em defesa dos animais.

Seja em matadouros, fazendas de produção leiteira ou de peles, laboratórios de experimentação animal ou mercados de animais, sua missão mais importante, mais do que denunciar uma injusta realidade, é encontrar um meio de ampliar a empatia de quem ainda não reconhece o sofrimento dos animais.

“Sou um fotógrafo que, diariamente, documenta a vida dos animais. Minhas imagens mostram suas existências, que foram degradadas e reduzidas a produtos, bens comuns. Por meio da fotografia, quero mostrar o que é invisível para a sociedade – as relações entre os animais, sua capacidade de sentir, o respeito que eles merecem”, informa.

Skowron diz que a fotografia permite revelar mais sobre o esquecido “direito de viver”. “A sociedade nos levou a pensar que é bom nos concentrar no consumo, deixando para trás a empatia e quaisquer reflexões morais. Ao fotografar animais, estou tentando capturar seus relacionamentos, amizades, emoções que moveriam o coração de um humano.”

Andrew Skowron também registra as boas ações humanas em relação aos animais – principalmente quando suas imagens contam histórias de sobreviventes que ganharam uma segunda chance longe da exploração. Um exemplo é uma de suas séries sobre animais resgatados da indústria de peles.

Saiba Mais

O livro arrecadou no Indiegogo pouco mais de R$ 600 mil para sua publicação.

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