Galinhas sofrem para botar 4,8 bilhões de dúzias de ovos no Brasil

252,6 milhões de galinhas são submetidas à privação e vivem por um ou dois anos para produzir os ovos consumidos pela população

Galinhas poedeiras em granja em Bastos (SP) (Foto: Sinergia Animal)

A produção de ovos no Brasil chegou a 4,8 bilhões em 2020, o que significa 3,5% a mais do que em 2019, segundo levantamento concluído no final de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A maior parte, ou seja, 83,1%, é proveniente de granjas de médio e grande porte, e o total significa o maior recorde desde a implantação da estatística Produção de Ovos de Galinha (POG) iniciada pelo IBGE em 1999.

No Brasil, os ovos que chegam aos consumidores são provenientes principalmente do sistema industrial de produção, intensificado ainda mais com a pandemia de covid-19, já que o número de brasileiros substituindo a carne pelos ovos em decorrência de menor poder de compra aumentou.

Hoje, São Paulo lidera a produção, com 25,6% do total nacional, seguido por Paraná, com 9,4%, e Minas Gerais, com 8,5%. Mas o que isso significa para 252,6 milhões de galinhas que produzem os ovos consumidos pela população brasileira?

No caso da maioria, significa viver em confinamento e em situação de superpopulação em gaiolas – sistema mais usual – botando ovos por um ou dois anos até ser abatida, que é o destino das galinhas poedeiras quando deixam de gerar lucro.

Sobre o sofrimento das galinhas

No predominante sistema industrial, não é novidade que muitas aves são mantidas em espaço que não permite movimentar bem as asas ou mudar de posição como gostariam.

Além da inibição de comportamentos naturais, em consequência do aprisionamento que também leva à inquietação, estresse e problemas fisiológicos, a queda na produção de ovos é uma sentença de morte, assim como o desenvolvimento de problemas de saúde considerados “onerosos” – o que leva ao descarte ou abate e destinação da carne à indústria alimentícia.

Em 2020, durante um período de calor intenso, mais de um milhão de galinhas poedeiras morreram na região de Bastos, líder em produção de ovos em São Paulo, em consequência de hipertermia. E por que isso aconteceu? Porque esses animais são massivamente criados em confinamento, mesmo tendo mais sensibilidade em relação a temperaturas elevadas ou extremas do que nós mamíferos – o que significa maior dificuldade de regular a temperatura corporal.

Para uma galinha, 28 graus Celsius já é desconfortável e promove mudanças em seu comportamento. Agora imagine essa mesma criatura vivendo em confinamento até o dia de sua morte. E que tipo de impacto viver dessa maneira pode ter em um animal a quem não é proporcionada nem mesmo condições para ciscar? Não é difícil concluir porque a produção de ovos também é uma violência, e consumi-lo é uma forma de financiá-la.

Mas claro que o problema não é apenas a maneira como as galinhas são criadas, até porque, de um modo ou de outro, o abate é usual quando as poedeiras deixam de botar ovos. É preciso ponderar também que o sistema de produção reduz e muito a expectativa de vida desses animais que, distantes de uma vida de exploração, poderiam viver por mais de dez anos. Então como não considerar a produção de ovos como uma forma de abuso?

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