Grupo que doa comida vegana em 65 países completará 40 anos

Além de distribuir alimentos, o Food Not Bombs organiza protestos em prol de justiça social e contra o ódio, a guerra, a pobreza e a destruição do meio ambiente

O grupo explica que os alimentos e ingredientes para as refeições distribuídas aos necessitados são provenientes de coletas de produtos em bom estado, mas que já não podem ser vendidos em supermercados (Foto/Acervo: Food Not Bombs)

Um grupo pacifista que realiza doações de comida vegana em quase mil comunidades de 65 países vai completar 40 anos no dia 25 de março de 2020. Além de distribuir alimentos, o Food Not Bombs, fundado em 1980, organiza protestos em prol de justiça social e contra o ódio, a guerra, a pobreza e a destruição do meio ambiente.

Em comemoração aos 40 anos, o grupo está organizando festivais com música ao vivo, poesia, refeições veganas gratuitas, cabines de arte e informação e atividades infantis. A previsão é de que o festival migre de uma cidade para outra.

“O Food Not Bombs começou após o protesto de 24 de maio de 1980 que visava fechar a usina nuclear de Seabrook, ao norte de Boston, em New Hampshire, nos Estados Unidos. As pessoas que iniciaram o Food Not Bombs compartilharam sua primeira refeição em frente ao Federal Reserve Bank em 28 de março de 1981, durante uma reunião de acionistas do Banco de Boston que contou com protesto contra a exploração do capitalismo e o investimento na indústria nuclear.”

O grupo informa que a iniciativa não tem líderes, já que o objetivo é mostrar que é possível trabalhar de forma cooperativa por meio de esforços voluntários voltados a necessidades essenciais como alimentação, moradia, educação e saúde. “Quando mais de um bilhão de pessoas passam fome todos os dias, como podemos gastar outro dólar em guerra?”, questiona.

Por sua bandeira, o Food Not Bombs já foi classificado pelo governo do Estados Unidos como um grupo terrorista. Isso aconteceu, segundo o grupo, após seus membros serem presos por compartilharem refeições veganas no Golden Gate Park em 1988.

“Tudo que dizemos é que tínhamos o direito de alimentar os famintos em protesto contra a guerra e a pobreza. Eles estavam preocupados com o fato de podermos influenciar o público a perceber que nossos impostos podem ser gastos com necessidades humanas em vez de guerra, e que isso poderia ameaçar seus bilhões de dólares em lucros ao armar o governo dos Estados Unidos.”

O grupo explica que as refeições sem ingredientes de origem animal distribuídas aos necessitados são provenientes de coletas de produtos em bom estado, mas que já não podem ser vendidos em supermercados. E a justificativa para a comida ser vegana é o fato de que o Food Not Bombs defende que o alimento deve ser livre de exploração, violência e morte.

“Com cinquenta centavos de cada dólar dos impostos federais dos EUA indo para as forças armadas e 40% de nossos alimentos sendo descartados, enquanto tantas pessoas lutam para alimentar suas famílias, nos vemos na obrigação de inspirar o público a pressionar para que os gastos militares sejam redirecionados às necessidades humanas.”

“Quando mais de um bilhão de pessoas passam fome todos os dias, como podemos gastar outro dólar em guerra?” (Foto/Acervo: Food Not Bombs)

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