Há 45 anos, galos morriam em brigas reais no cinema

“Cockfighter”, lançado como "Galo de Briga" no Brasil, entrou para a história do cinema como uma das obras mais violentas da década de 1970

A tentativa de Hellman era reproduzir com fidelidade a realidade das lutas de galos como entretenimento no estado da Geórgia (EUA) (Foto: Reprodução)

Há 45 anos, o filme “Cockfighter”, lançado como “Galo de Briga” no Brasil, entrou para a história do cinema como uma das obras mais violentas da década de 1970. Dirigido por Monte Hellman e produzido por Roger Corman, o filme foi banido do Reino Unido por apresentar brigas reais de galos, consideradas “desumanas”, desnecessárias e apelativas.

A tentativa de Monte Hellman era reproduzir com fidelidade a realidade das lutas de galos como entretenimento no estado da Geórgia (EUA), e fez isso contando a história de um inflexível apostador que decide fazer voto de silêncio “até conquistar uma grande vitória em uma grande rinha”.

Mas até que ponto subjugar esses animais no cinema fez de Hellman ou Corman alguém tão diferente dos apostadores ou proprietários de galos que submetiam esses animais aos mais viscerais tipos de exploração e violência?

E a brutalidade no filme superou a realidade, porque não satisfeito com os resultados reais da violência, Corman exigiu que usassem sangue falso para acentuar a crueldade e chocar ainda mais os espectadores.

Assim como acontecia no submundo da Geórgia, em “Cockfighter” os animais foram expostos a uma gama de detalhes bárbaros, que incluíam esporas de metal para facilitar golpes letais e inflamar seus instintos.

Não há dados precisos sobre o número de galos mortos ou severamente feridos em “Cockfighter”, mas todas as aves que participaram do filme foram apontadas como vítimas de maus-tratos.

Ademais, não é novidade que alguns filmes de baixo orçamento se valiam de recursos apelativos e violentos até para compensar a publicidade gratuita que não conquistariam de outra forma à época.

Na biografia “Monte Hellman: His Life and Films”, publicada por Brad Stevens em 2003, Hellman explica como surgiu a controversa concepção do filme lançado em 1974:

“Eu vim para a Geórgia sem nenhum conhecimento de brigas de galos, além de ler o livro e o roteiro. Nunca tinha visto uma briga de galos. Só tive essa reação instintiva ao ver um animal morto, o que realmente me chateou tremendamente. [Mas] eu queria transmitir isso.”

E acrescenta: “Realmente, o que me interessava era tentar compartilhar essa emoção, e para este fim, não deixei que Patricia Pearcy [uma das personagens de ‘Cockfighter’] assistisse a uma briga de galo durante toda a filmagem do filme até a última cena em que ela teve de ver uma delas. Eu queria a reação dela ao ver uma briga de galo pela primeira vez.”

Saiba Mais

No Reino Unido, as diretrizes do Cinematograph Film (Animals) Act 1937 classifica como ilegal mostrar qualquer cena “editada ou dirigida” para fins fílmicos que envolva crueldade real com animais.

Referência

Stevens, Brad. Monte Hellman: His Life and Films. Páginas 105-106. McFarland & Company; Edição: New (18 de março de 2003).

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