Há oito anos, assassinos de ambientalistas foram condenados no Pará

Mandante do crime, o pecuarista José Rodrigues Moreira continua foragido

Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento à esquerda e Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro da Silva à direita (Fotos: Acervo Amazônia Real)

No domingo (4) completou oito anos que Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento foram condenados a 42 e 45 anos de prisão pelo duplo homicídio dos ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo. O crime aconteceu em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará.

Iindonjonson é irmão do pecuarista José Rodrigues Moreira, mandante do crime, e que à época foi absolvido por “insuficiência de provas”. No entanto, Moreira foi condenado em 6 de dezembro de 2016, mas até hoje continua foragido. Já seu irmão fugiu do Centro de Recuperação Agrícola Mariano Antunes, em Marabá, em 2015, mas foi recapturado no dia 7 de agosto de 2020.

José Cláudio e Maria foram mortos após denunciarem compra ilegal de lote de terras do projeto agroextrativista Praialta-Piranheira, no bioma amazônico, onde viviam. Durante as investigações, a polícia encontrou indícios de um consórcio envolvendo pecuaristas de Nova Ipixuna que visavam grilagem e reconcentração de terras na região.

Casal recebia ameaças de morte

O crime ocorrido em 2011 teve bastante repercussão internacional e ganhou as manchetes do The Guardian, New Tork Times, Wall Street Journal, Vice e Al Jazeera. Além disso, foi comparado aos assassinatos de Chico Mendes e da freira Dorothy Stang.

O casal já estava recebendo ameaças de morte de criadores de gado e madeireiros. Em 2008, um relatório da Fundação Internacional para a Proteção dos Defensores dos Direitos Humanos (Front Line Defenders) incluiu José Cláudio em uma lista de ambientalistas da Amazônia ameaçados de morte.

Em 2010, ele participou da conferência TEDxAmazônia, em Manaus, onde expressou preocupação por sua segurança. José Cláudio vivia com Maria do Espírito Santo em uma área de cerca de 20 hectares, com 80% de área verde preservada. Sobreviviam da extração de óleos de andiroba e castanha e haviam firmado um convênio com a Universidade Federal do Pará (UFPA) para a produção sustentável de óleos vegetais.

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