Os ex-proprietários da The Vegetarian Butcher e fundadores da Those Vegan Cowboys estão desenvolvendo uma caseína vegana que promete ser idêntica à proteína do leite de vaca.
Aproveitando o aumento da demanda por alternativas ao leite, Jaap Korteweg e Niko Koffeman decidiram investir em produtos que ofereçam ao consumidor a textura e o sabor dos derivados do leite, mas sem a exploração de vacas.
Em entrevista ao FoodIngredientsFirst na semana passada, o diretor de projetos da Those Vegan Cowboys, Will van den Tweel, disse que o setor de laticínios não é uma indústria muito sustentável, o que torna a busca por alternativas mais urgente.
“Existem grandes questões ambientais relacionadas à produção de laticínios e carne. Também é necessária uma enorme quantidade de terra e muita água para a produção de qualquer laticínio. Então alternativas são necessárias”, reforçou.
Hoje a startup está desenvolvendo a sua caseína vegana partindo de um processo semelhante já utilizado na produção convencional, mas que não requer vacas, mas apenas microrganismos que se alimentam da grama que também é consumida por esses animais.
É como se “estivessem pegando um atalho”, mas que para dar certo na produção da caseína de origem não animal depende da utilização dos microrganismos adequados no processo de fermentação.
“A informação genética para a proteína relevante é incorporada em um microrganismo e, ao cultivar esse microrganismo em condições específicas, a proteína de interesse é produzida em grandes quantidades”, disse Will van den Tweel, acrescentando que a caseína pode ser replicada sem leite porque essa fermentação permite recriar o mesmo polipeptídeo.
“Pode haver algumas diferenças na glicosilação e/ou fosforilação das proteínas. No entanto, as propriedades funcionais também serão muito semelhantes às proteínas provenientes do leite de vaca.”
Van den Tweel afirmou que esse sistema gera um impacto ambiental cinco vezes menor do que o da produção convencional. “O desenvolvimento e o dimensionamento dessa tecnologia, no entanto, levarão tempo. Para ter efeito, também precisará ser competitivo em termos de custos em relação ao modo tradicional de produção.”
E acrescenta: “Não apenas isso, mas você precisa obter a aprovação regulatória, o que na Europa pode levar cerca de dois anos. Nos EUA, é possível obter aprovação em apenas 12 meses.” Enquanto desenvolvem a caseína vegana, Jaap Korteweg e Niko Koffeman já estão estudando a aplicação dessas caseínas em produtos veganos que possam conquistar o maior número possível de consumidores.
Recentemente a Those Vegan Cowboys firmou uma parceria com a marca holandesa Westland Cheese para lançar uma linha de queijos – a prioridade é a “precisão no sabor”. Ou seja, oferecer produtos diferenciados que agradem ao paladar, mas sem usar animais.
“Veremos algumas grandes mudanças nos próximos anos. É difícil dizer qual será o tamanho exato, mas estamos chegando lá”, ressaltou van den Tweel ao FoodIngredientsFirst.
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