Importante ativista vegana morre nos EUA

Diane Gandee Sorbi: “Depois de me tornar vegana, eu sabia que tinha de fazer mais do que simplesmente não participar da exploração animal"

Segundo a ativista, sua luta era pela libertação animal (Fotos: DxE)

Há pouco mais de um mês, a ativista vegana Diane Gandee Sorbi, de 65 anos, faleceu nos EUA em decorrência de complicações de uma cirurgia. Diane fez história como membro do Direct Action Everywhere (DxE) – mostrando que não existe idade para fazer ativismo em defesa dos animais.

Diane gostava de participar de ações diretas e de resgatar animais que seriam abatidos. Em janeiro de 2017, ela e mais cinco ativistas entraram em uma fazenda industrial em Moroni, Utah, onde haviam dezenas de milhares de perus amontoados em espaços imundos, repletos de fezes.

Diane Gandee Sorbi faleceu no dia 17 de março (Foto: DxE)

Parte dos animais não conseguia nem mesmo se manter em pé. Diante da situação, Diane e outros ativistas resgataram alguns perus feridos, na tentativa de salvá-los da morte. O episódio teve repercussão nacional e Diane escapou de uma condenação de cinco anos de prisão. Segundo a ativista, sua luta era pela libertação animal.

“Depois de me tornar vegana, eu sabia que tinha de fazer mais do que simplesmente não participar da exploração animal. Comecei a panfletar e a ir para as ruas. Tive muitas conversas ótimas com pessoas que queriam mudar, mas muitas vezes eu desanimava com a frequência com que alguém dizia que já sabia o que acontecia com os animais e não se importava”, relatou em entrevista ao DxE em 2016.

Um dia, depois de assistir a uma palestra na DxE House sobre as diferenças na abordagem à defesa animal, ela percebeu que a criação de mudanças sistêmicas pode surtir mais efeito do que as conversas individuais sobre veganismo. “Fiz algumas leituras sobre o que havia sido mais eficaz em movimentos passados de justiça social e decidi dedicar a maior parte do meu tempo a trabalhar com o DxE”, contou.

A primeira experiência de Diane fazendo um discurso em local público, segurando um megafone, é considerada por ela como das mais inesquecíveis. “Foram momentos empoderadores. Sempre fui um pouco tímida e saía do caminho para evitar confrontos. [Então] disse a mim mesma que isso era pelos animais e me empurrei para fora da minha zona de conforto.”

Desde que ouviu pela primeira vez a história de um resgate de animais criados para consumo, Diane Sorbi teve vontade de ir a campo. Em 2015, ela participou de um treinamento de resgate animal. “Uma experiência muito poderosa. Segurei um doce peru em meus braços e o levei para um lugar seguro, ciente de que há alguns anos uma de suas irmãs estava no meu prato [no feriado] de Ação de Graças. Foi um momento cheio de arrependimento e reconciliação.”

Sobre as motivações para seguir em frente, apesar de adversidades como o risco de prisão em ações diretas de resgate de animais, ela simplificou: “Os animais, enquanto eu viver, trabalharei pela liberdade deles. E também, os outros ativistas. Estar cercada de pessoas maravilhosas e atenciosas que dedicam inúmeras horas para tornar o mundo um lugar melhor é uma inspiração constante.”

Questionada sobre o que a mantinha na luta pela libertação animal, explicou que todo mundo tem direito à sua própria vida e a viver seguro e livre da exploração. Diane também deixou algumas dicas para os novos ativistas:

“Meu melhor conselho é se manter envolvido. Se um tipo de ativismo não der certo, tente outro. Precisamos do máximo possível de apoio nessa luta, e toda defesa da causa tem o seu valor. Faça o melhor que puder, e tente evitar criticar o trabalho de outras pessoas com as quais você pode não concordar. Se estiver interessado em resgate, participe de um treinamento. Há muitas formas de ajudar, incluindo trabalhos importantes em pesquisa e imprensa.”

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