Indústria da carne mata o equivalente a até oito vezes a população mundial

É difícil não achar isso chocante, já que o mundo hoje é habitado por cerca de 7,8 bilhões de pessoas

Frangos, suínos e bovinos, principais vítimas terrestres da demanda por carne (Fotos: Quartz/Andrew Skowron/Bertolino Kandinsky)

Em uma simples pesquisa sobre a quantidade de animais terrestres mortos para consumo no mundo, e a partir da pecuária, você encontrará dados que apontam um mínimo de 50 bilhões por ano a até 70 bilhões.

Embora as estimativas possam variar dependendo da fonte e da data da informação, o mínimo, em número de indivíduos não humanos, representa 6,4 vezes a população global humana, mas pode equivaler a 8,9 vezes. É difícil não achar isso chocante, já que o mundo hoje é habitado por cerca de 7,8 bilhões de pessoas.

Mesmo com uma quantidade surpreendente de mortes principalmente de frangos, suínos e bovinos, que são as espécies terrestres mais consumidas no mundo, há um grande número de pessoas sem acesso aos produtos resultantes dessa violência.

A ONU aponta que em 2020 a fome atingiu 820 milhões de pessoas. Todos esses números considerados em conjunto e proporcionalidade ressaltam o quanto é aberrante em diversos aspectos a realidade global do consumo de animais.

Matadouros cada vez mais cheios e a fome

O Brasil, por exemplo, bateu recorde de matança de frangos e porcos no ano passado – 6 bilhões e 49,3 milhões, segundo o IBGE. Por outro lado, o país hoje soma 19 milhões de pessoas passando fome, segundo levantamento da Rede Penssan. Ou seja, milhões não têm o que comer enquanto os matadouros estão cada vez mais cheios.

Nesse sistema agroalimentar, para os animais serem privados de suas vidas, abatidos, antes eles precisam se alimentar e engordar o suficiente para atingirem o peso comercial. Isso só pode ser assegurado com uma alimentação adequada a esse objetivo em um mundo onde a maior parte das áreas agricultáveis já estão ocupadas pela agropecuária.

Enquanto esses animais são alimentados e mortos para geração de lucro e para atender predileções do paladar, muitas pessoas passam fome por não terem acesso nem mesmo aos vegetais que dão origem à ração que é base ou complemento da alimentação das dezenas de bilhões de vítimas da pecuária.

Maior produção de leguminosa vai para os animais

A produção de soja, por exemplo, que é a leguminosa mais produzida no mundo, tem de 70 a 79% de sua utilização voltada à pecuária, segundo dados da UCUSA e da WWF-Brasil. Deveríamos achar normal uma produção tão grande de leguminosa para alimentar animais que serão mortos para consumo?

Já não é novidade que criar animais com essa finalidade exige muitos recursos naturais e gera graves consequências ao meio ambiente, seja por meio do uso de grandes áreas que depende de mais derrubada de mata nativa, alta demanda de água, poluição e emissões de dióxido de carbono e metano.

Você reconhecendo ou não a gravidade das mudanças climáticas, o impacto para o meio ambiente é real. No entanto, mesmo com essa realidade preocupante, a agropecuária segue em expansão, demandando mais áreas, impulsionando desmatamento, impondo mais riscos à biodiversidade e favorecendo o desequilíbrio ecológico.

Problemas éticos e ambientais 

Ademais, será que deveríamos confinar bilhões de frangos e porcos para consumo? Pense na gripe aviária e suína e no quanto as doenças zoonóticas têm se intensificado nas últimas décadas.

Por que não nos alimentarmos de proteínas de origem vegetal em vez de matar animais alimentados com vegetais para então consumi-los? Considere também que privação, condicionamento e morte são inerentes a esse processo de produção alimentícia.

Além dos problemas éticos e de saúde pública gerados pela pecuária a partir da aberrante matança de animais, outra questão ética a ser ponderada é que todo o impacto associado à agropecuária e à indústria da carne, sem dúvida, tende a ser muito mais prejudicial àqueles que hoje passam fome.

Afinal, mesmo não financiando esse sistema, são os que sofrerão ainda mais com as suas consequências para o planeta em decorrência de maior vulnerabilidade.

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