Levijatan: “Não machuque os animais ou nós o encontraremos”

Pavle Bihvali: “Radical é alguém colocar fogos de artifício no ânus de um cachorro. O que estamos fazendo é normal” (Foto: Divulgação)

“Não machuque os animais ou nós o encontraremos” – este é o lema do grupo Levijatan (leviatã em português), que surgiu em Belgrado, na Sérvia, como uma reação à negligência do Estado em relação aos abusos praticados contra cães e gatos.

O fundador do grupo, Pavle Bihvali, conta que assim como em muitos países, as leis de bem-estar animal não são de fato aplicadas na Sérvia, e os abusadores de animais sabem que podem sempre se safar. Por isso, o grupo decidiu atuar assumindo o compromisso de localizar os agressores e levá-los à justiça, não julgá-los à sua maneira.

Fortes, tatuados e mascarados, esse é o perfil da maioria dos membros do Levijatan, que desde que ganhou popularidade em Belgrado, o índice de violência contra animais nas ruas diminuiu. Além disso, o grupo cresce um pouco mais a cada ano. A máscara é justificada por Bihvali como uma estratégia de marketing para chamar a atenção para a causa.

No entanto, quando o grupo surgiu eles não receberam apoio da mídia. Muito pelo contrário. Os mais importantes veículos de Belgrado declararam que a promotoria pública deveria investigá-los, deixando subentendido que o perfil deles gerava suspeita.

Porém, logo nos primeiros meses, eles conquistaram o apoio da opinião pública, e hoje contam com mais de 200 mil seguidores em sua página no Facebook.  Ainda assim, não é raro alguém dizer que o grupo é extremista ou radical. Sobre isso, Bihvali é direto:

“Radical é alguém colocar fogos de artifício no ânus de um cachorro. O que estamos fazendo é normal. Cortar as orelhas, a cabeça ou as patas de um cachorro, isso sim é radical.” Além de localizar abusadores, o Levijatan dá suporte a protetores de animais que são ameaçados, agredidos verbalmente ou violentados.

Atualmente, cães torturados, envenenados, mutilados e enforcados em árvores não são encontrados com a mesma frequência de anos atrás, quando o Levijatan não existia. Só a existência do grupo já intimida muitos agressores – diversos membros são levantadores de peso e lutadores – alguns premiados. Um exemplo é o lutador de MMA Dusan Dzakic.

Durante um bom tempo, todo o trabalho do Levijatan foi custeado pelos próprios membros. Mas, hoje em dia, em resposta à demanda, o grupo aceita doações. Em sua página, o Levijatan publicou que sob a grande pressão do público, eles foram forçados a se tornarem uma fundação, e agora destacam que ocupam posição de liderança na Europa em relação à proteção e prevenção de abusos contra cães e gatos, além de resgates. O que ajuda muito na popularidade do grupo também são as transmissões ao vivo que eles fazem de suas ações. “Por isso nos tornamos famosos”, comenta Pavle Bihvali.

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

12 respostas

  1. Sensacional, adorei, Fantástico ????
    Venham dar palestras e aulas aqui no Brasil, precisamos ter grupos iguais aqui !!
    Diária MENSALMENTE com o maior prazer para ajudar a manter o trabalho ???❤?

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