Não é preciso amar os animais para ser vegano

Não é imprescindível gostar de animais, tutelar animais ou resgatar animais

É preciso apenas ter a consciência de que os animais não humanos não merecem ser explorados (Acervo: Farm Sanctuary)

Não é tão raro encontrar quem diga “que até acha legal” quem é vegano, mas que não ama os animais ou que não gosta de animais, e que por isso não vê como seria possível ser vegano. Não há problema nenhum nisso. Para ser vegano, não é imprescindível gostar de animais, tutelar animais ou resgatar animais; nem mesmo conviver com animais.

Claro, muitos veganos fazem isso, mas não é uma regra ou algo do tipo. É preciso apenas ter a consciência de que os animais não merecem ser explorados. E, claro, que também desejam viver, não morrer precocemente – mesmo quando criados com finalidade econômica.

Então o papel de um vegano é se empenhar em não contribuir com a exploração animal. O ponto é entender, reconhecer isso e colocar em prática. O amor pelos animais realmente é um sentimento nobre, mas a consciência sobre justiça independente de espécie ou supra-espécie é essencial, logo mais importante.

Isto porque tem grande apelo em relação ao discernimento moral e ético em uma sociedade alicerçada em valores equivocados e antropocêntricos que nos levaram ao especismo – uma discriminação que se baseia na ideia de que por sermos superiores podemos subjugar outras espécies de acordo com os nossos interesses.

Independente de alguém se reconhecer ou não como superior a outras formas de vida, é importante ponderar que não interessa qual animal é mais inteligente, qual é mais amável ou qual é mais sensível. Basta compreender e reconhecer que não temos o direito de subjugá-los, e que não cabe a nós decidirmos quais animais sencientes devem viver ou morrer levando em conta nossas substituíveis pretensas necessidades e preferências de consumo.

Nossa interferência deve ocorrer apenas quando eles precisam de nós, sem subjugação. Se esforçar para não impactar negativamente na vida dos animais é uma forma de aperfeiçoamento civilizatório, porque se uma pessoa é capaz de respeitar a vida de um vulnerável animal que não partilha do mesmo código comunicativo que ela, isso pode motivá-la a respeitar mais a vida em geral.

Gostar ou amar animais é uma questão de pessoalidade. Você pode desenvolver isso ou não, e sem que isso prejudique ninguém. Por outro lado, é a falta de entendimento de que os animais não existem para nos servir que tem perpetuado práticas desnecessárias que anualmente custam a vida de tantos animais.

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