Não existe couro de origem animal sustentável

O suposto "couro ecológico de origem animal" fortalece uma propaganda que faz com que o consumidor se sinta como se estivesse fazendo um bem

Ainda é um couro com poucas diferenças do velho couro e, claro, todo o processo até a retirada do couro é praticamente o mesmo de uma indústria convencional (Fotos: iStock/PETA/Shutterstock)

Há alguns anos a indústria de couro, preocupada em perder mercado, começou a promover a produção de “couro ecológico de origem animal”, como uma suposta alternativa sustentável e consciente, já que o processo de produção desse material, diferente da tradicional indústria de couro, supostamente envolve o uso de produtos químicos menos agressivos, além de demandar menor quantidade de água e energia elétrica.

Tudo isso fortalece uma propaganda que faz com que o consumidor se sinta como se estivesse fazendo um bem, contribuindo com o meio ambiente, ao comprar esse tipo de produto. Porém ainda é um couro com poucas diferenças do velho couro e, claro, todo o processo até a retirada do couro é praticamente o mesmo de uma indústria convencional.

Ou seja, animais têm suas peles arrancadas, e, dependendo da espécie, somente para atender a demanda da indústria de vestuário e acessórios. Até porque nem todos os animais são relevantes para a indústria alimentícia, já que há critérios a se considerar.

Defensores do tal “couro de origem animal ecológico” dizem que o produto é amigo da sustentabilidade, já que não é curtido, por exemplo, com metais pesados como o cromo, que é extremamente poluente. Contudo, pensando somente por esse lado, incorremos no erro de ignorar fatos importantes. Há impacto ambiental na criação de animais explorados também com essa finalidade, já que eles demandam área, água e precisam ser alimentados.

Produzindo esse “couro ecológico” também incentivamos a morte de animais por um capricho, por um desnecessário apego estético. Além disso, há inúmeras opções mais éticas e sustentáveis que imitam couro a partir das mais diferentes matérias-primas, inclusive resíduos do vinho e da laranja, além de fibras de abacaxi, maçã, cacto, etc.

Alguém pode alegar que não é a mesma coisa. Independente da veracidade disso, não seria insensato ter a oportunidade de não usar algo proveniente do cadáver de um animal e ainda assim insistir em fazê-lo? Sabendo que quando compramos couro também financiamos a morte de animais.

Mesmo quando o couro é apenas um subproduto, ainda assim estimula diversas cadeias industriais que envolvem a exploração animal, até porque quanto maiores as possibilidades de lucro, maiores são os níveis de exploração de uma espécie. Sendo assim, mesmo quem não come carne, por exemplo, mas não abre mão do uso de couro de boi, seja “ecológico” ou não, também financia privação, sofrimento e a morte não natural de animais nos matadouros.

Quando for procurar pelo chamado “couro ecológico”, que tem uso diverso no Brasil, certifique-se de que não seja um produto de origem animal.

1 COMENTÁRIO

  1. desde inicio da historia,couro tem sido usado como proteçao das pessoas,faz parte da cadeia da carne que e proteina animal,que gera subprodutos ,um deles a pele que e reciclada como forma de proteina,gelatina,usada na industria de beleza,como suplemento alimentar,industria farmaceutica,e ou couro para a industria de calcados.
    hoje curtido com produtos que nao contem substancias proibidas,podendo apos uso do calçado ser agregado ao solo por ser materia organica biodegradavel.
    se deve tomar muito cuidado em condenar um conceito ou produto sem realmente conhecer os seus beneficios,ee muito perigoso afirmar que produtos derivados de petroleo,confeccionados a partir de frutos e ou outras fontes sao amigos da natureza.
    wilson
    quimico
    tecnico em calçados
    pesquisador de produtos pra confecçao de calçados e acessorios.

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