Nenhum animal deveria ser enviado ao matadouro

Não imagino que alguém acredite que um animal transportado para o abate esteja satisfeito com tal fim

Quem pode dizer que seria ruim não nascer para não ser explorado e morto, sem possibilidade de reivindicar libertação pela própria expressão de insatisfação inconsiderada? (Foto: Andrew Skowron)

Observando um caminhão que transportava animais para o matadouro, pensei em como a empatia pode ser transformadora. Se não fosse seletiva ou conveniente, aqueles animais não estariam a caminho da morte. Talvez não tivessem nascido, não existissem. Quem pode dizer que seria ruim não nascer para não ser explorado e morto, sem possibilidade de reivindicar libertação pela própria expressão de insatisfação inconsiderada?

Ainda que não a explicitassem, numa percepção humana ambígua, que pode ser tão real quanto quimérica, matá-los deixa de revelar o elevado desinteresse humano pela extensão da empatia por outros animais? Como seria se de onde o caminhão estava até onde chegaria, todos que vissem aqueles animais na carroceria fossem contra seus impostos fins?

Esse descontentamento já seria indício de como a empatia é processo de desenvolvimento, de abertura, rompimento. Acredito que as fronteiras entre a aceitação e a rejeição se redimensionariam. E até onde chegariam? Muito pode ser dirimido a partir do momento em que apenas observamos o outro, que não reconhecemos.

Quanto pode surgir dessa experiência? Quem pode mensurar? Para cada um, não há como falar em equivalências, mas observar um animal como é, dissociando-o de qualquer atribuição de consumo, é uma forma de percebê-lo, ou pelo menos tentar percebê-lo, como indivíduo.

Posso falar, partindo dessa experiência, que onde há olhos querendo entrar há olhos querendo sair. Não imagino que alguém acredite que um animal transportado para o abate esteja satisfeito com tal fim, e sei que qualquer um concordaria, mesmo quem diz não ver “nada de errado nisso”.

E o que é o “nada de errado” que não uma faltosa racionalização do que representa na experiência da corporalidade esse fim? Digo que sei e aceito, mas quão profundo é o impacto do saber se rejeito imaginar-me no lugar do outro?

Entendo que a empatia negada em relação aos outros resulta de indisposição, que faz qualquer experiência parecer menor do que é, que artificializa a realidade e a torna menos severa. Assim, não vejo ilusão no clamar de empatia pelos outros animais, mas sim no rejeitar de sua consideração.

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