Neste pedaço de mundo ninguém come animais

"Há animais, claro, e não são poucos, mas ninguém tem interesse em comê-los. Por que teriam? E os bichos não vivem para servi-los"

“As pessoas não tomam leite? Comem ovos? Outra coisa de origem animal? Algo que ninguém sabe que vem de bicho?” De jeito nenhum! (Ilustração: DepositPhotos)

Neste pedaço de mundo ninguém come animais. Há animais, claro, e não são poucos, mas ninguém tem interesse em comê-los. Por que teriam? E os bichos não vivem para servi-los. “As pessoas não tomam leite? Comem ovos? Outra coisa de origem animal? Algo que ninguém sabe que vem de bicho?”

De jeito nenhum! “Por que não?” O que não é necessidade não tem legitimidade. “Mas então o que fazem com os animais?” Nada é feito com os animais, eles são o que são – animais. “Como assim?” Não são tratados como se não fossem animais. “Não entendi.”

Quando você come algo, você come o quê? “Ah, um alimento!” Sim, exato. Mas se esse alimento era parte de um animal, então o animal era um alimento? “É…sim.” E quando pensamos em alimento, quem atribui capacidade ao alimento?” “Alimentos são alimentos, acho que ninguém.”

Mas se a capacidade precede o alimento pelo seu processo de origem, já que é proveniente de uma vida, ou subtração desta, antes vinculada a um estado de consciência, é correto dizer que um alimento é só um alimento? “Talvez sim, sim.”

Se pensamos no agora, sem dúvida, uma consideração comum, mas no histórico cumulativo, de modo algum. E neste pedaço de mundo é o que se predomina. “Mas há alimentos de origem animal que não geram morte.”

Aqui ninguém acredita que animais devem alimentar humanos, e se humanos têm capacidade de produzir tudo que precisam por seu próprio esforço, competência e vontade, por que subjugar outras espécies? Ou apropriar-se do que por inerência não nos pertence?

Há muitos lugares pouco conhecidos no mundo que reconhecem esta consciência. Sempre existiram. E o que isso nos diz? “Algo a ver com possibilidades?” Sim, e evoca à plasticidade humana. Quando podemos escolher ser melhores, por que sermos piores? Ou por que perpetuarmos hábitos que dependem do que tiramos de outras espécies?

Olhe o comportamento de um animal livre de exploração econômica e compare com aquele criado com essa finalidade. Ao primeiro é permitido agir como animal, sem supressão, enquanto o outro tende a ensaiar o que não poderá ser, e assim será até deixar de ser.

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