Quando soube que a carne vem de bicho, não apenas deixou de comê-la como sentiu grande vontade de libertar todos os animais do mundo. Sabia que não era possível, pelo menos por enquanto, mas acreditava que poderia fazer algo. “Por que não?”
Um dia, comprou uma fantasia e, arrastando uma carretinha, pedalou até uma propriedade rural na saída da cidade, onde soube que criavam suínos. Era fim de tarde e ficou escondido atrás de uma árvore, assistindo dois homens empurrando animais para dentro do caminhão.
Estava perto do Natal, e havia porcos bem mais jovens do que aqueles abatidos com seis meses. “Nessa época, morrem ainda mais cedo.” Quando viu que os dois homens sumiram, não se importou com duração ou razão, correu até o caminhão e misturou-se aos porcos na carroceria.
Outro homem, que antes não estava ali, notou algo estranho. Abriu espaço entre os suínos e encontrou o menino fantasiado. Começou a rir. ‘Que isso! Você quer ser abatido?” Parou de gargalhar quando percebeu que ele não fazia barulho e mantinha-se atrás de um leitão. Estava com o rosto molhado – tinha chorado.
O homem não sentia pena daqueles animais, sentiu do menino. “O que você tá fazendo aqui?” Não respondeu, mas o sujeito entendeu. Ele sabia que não poderia salvar todos aqueles animais e, naquele momento, quem diria que algum?
Os porcos, que antes grunhiam, pareciam não se incomodar com a presença do menino. Dizem que reconhecem intenção. O homem achou engraçado e pediu que descesse. Ele resistiu. “O que você quer aqui afinal?” “Quero que não matem eles.” O sujeito não quis estender a discussão. “Sua vontade não pode ser feita, não importa o quanto seja boa sua intenção.”
Sentiu muita tristeza. “Um dia vou libertar todos, e nunca mais vão sofrer pra gente comer.” “Está certo, se é sua vontade.” O menino continuou olhando dentro da carroceria enquanto as lágrimas desciam pela fantasia. O sujeito, que era o dono da propriedade, tirou o porco mais jovem de dentro da carroceria e entregou a ele. Não disse nada, e o menino partiu com o leitãozinho e com sua fantasia. “Ainda vou libertar todos…”
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