ONG internacional denuncia empresas que financiam queimadas na Amazônia

Segundo a Mighty Earth, maior incentivo à destruição da Amazônia vem de grandes empresas que atuam na indústria de carne e de soja destinada à alimentação de animais criados para consumo

“São essas empresas que estão criando a demanda internacional que financia os incêndios e o desmatamento” (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Na semana passada, a organização internacional Mighty Earth concluiu uma série de investigações sobre quem financia as queimadas na Amazônia, que sucede o desmatamento que dará lugar à formação de pastagens para o gado e terras agrícolas para o cultivo de soja destinada à nutrição de animais criados para consumo.

Segundo informações coletadas pela ONG por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e Nasa, o maior incentivo à destruição da Amazônia vem de grandes empresas que atuam na indústria da carne e de soja em larga escala, como JBS, Cargill e marcas globais como Stop & Shop, Costco, McDonald’s, Walmart, Asda e Sysco.

“São essas empresas que estão criando a demanda internacional que financia os incêndios e o desmatamento”, informa a Mighty Earth, que cita também a Marfrig e Minerva Foods entre as que contribuem com a situação da Amazônia.

Infrográficos: Mighty Earth

De acordo com a ONG, a destruição não se limita ao Brasil, já que na Amazônia boliviana 2,5 milhões de acres foram queimados, em grande parte, para dar espaço às pastagens e plantações de soja – e isso apenas em algumas semanas.

“O Paraguai está passando por devastação semelhante”, lamenta. Com base em dados da Nasa, Conab e Imazon, a Mighy Earth descobriu também que outras grandes produtoras de soja voltada à alimentação de animais criados para consumo são grandes financiadoras da degradação amazônica. Além da Cargill, estão no topo a ADM, Armaggi, Bunge e Louis Dreyfus.

E o que tem motivado esse cenário preocupante é a expansão da demanda por carne bovina e couro. Só de 1993 a 2013, o rebanho bovino na Amazônia cresceu quase 200%, somando 60 milhões de animais – aponta a Mighty Earth.

“Embora o desmatamento visando criação de gado tenha sido reduzido graças à ação do setor privado e do governo, a nova onda de desmatamento este ano mostra que as grandes empresas internacionais de carne e couro e seus clientes e financiadores continuam a criar mercados para o gado à base de desmatamento”, enfatiza a ONG.

Já o desmatamento para plantação de soja na Amazônia tem ocorrido principalmente nas imediações da BR-163. “Os grandes produtores de soja transportam rotineiramente sua soja pela Rodovia BR-163 para o principal porto da Cargill em Santarém [PA], onde é embarcada e enviada para alimentar o gado ao redor do mundo, na Europa, China e em outros lugares.”

Vale lembrar que a Cargill, Bunge e outras empresas se comprometeram com a Moratória da Soja – um compromisso de não comprar soja proveniente do desmatamento.

A Cargill declarou em comunicado oficial na semana passada que “apoia integralmente a Moratória da Soja na Amazônia e não compra grãos de áreas recém-desmatadas”. Também enfatizou que as empresas do setor conseguiram reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia na última década.

Saiba quem são os compradores da Cargill, JBS e Marfrig:

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