ONU: Produção de carne pode resultar em piores consequências ambientais

A previsão considera que com base no aumento da população global até 2050 a demanda por produtos agrícolas aumentará em pelo menos 30% (Foto: João Laet/AFP/Getty)

Um novo estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) concluído em fevereiro reforça que a produção de carne para atender a crescente demanda por alimentos de origem animal pode resultar em piores consequências ambientais.

A previsão considera que com base no aumento da população global até 2050 a demanda por produtos agrícolas crescerá em pelo menos 30%, fazendo com que a agropecuária seja uma das atividades que coloque ainda mais pressão sobre espaços naturais (desmatamento) para formação de pastagens, produção de grãos para alimentar animais e maior necessidade de outros recursos naturais, incluindo água.

Segundo o estudo “Making Peace with Nature”, da ONU, o cenário é preocupante porque “houve uma mudança para dietas ainda mais ricas em carnes” nas últimas décadas, impulsionada pela relação entre maior acesso e equivocada supervalorização do aumento do consumo de proteínas de origem animal.

Risco ao desenvolvimento sustentável

O trabalho avalia esse aumento como um risco ao cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) por impor crescentes riscos ambientais, quando deveriam ser reduzidos. De acordo com a ONU, a abstenção ou pelo menos uma grande redução do consumo de carne ajudaria a reduzir o impacto das mudanças climáticas.

“Agricultura sustentável na maioria das vezes não é incentivada pelos sistemas atuais de produção agrícola em escala industrial. Mudar a dieta, os hábitos dos consumidores, principalmente em países desenvolvidos, onde o consumo de carne e laticínios é alto, reduziria a pressão sobre a biodiversidade e o sistema climático”, aponta a ONU.

E acrescenta: “Esses hábitos resultam de escolhas individuais, mas também são influenciados por publicidade, subsídios agrícolas e disponibilidade excessiva de alimentos baratos que fornecem má nutrição.”

David Arioch: Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)