Opressão dos animais é tema da arte de Paula Meninato

"Ao retratar neste meio os corpos não humanos explorados e mais vulneráveis, tento dar-lhes valor e voz”

Intenção é desafiar a ideologia antropocêntrica por meio de imagens de sofrimento animal (Artes: Paula Meninato)

Radicada nos EUA, a artista argentina Paula Meninato defende que a arte permite um espaço de criação para disseminar mensagens que desafiam as ideologias dominantes, como o especismo, que favorece a opressão dos animais em nosso benefício, incluindo a produção de alimentos como carnes, leite, ovos, etc.

Em uma série pautada na ética animal, que aborda a relação entre humanos e animais, a artista vegana destaca que sua intenção é desafiar a ideologia antropocêntrica por meio de imagens de sofrimento animal.

“Meu olhar está na intersecção da ética animal com a biopolítica. Me concentrei na materialidade da tinta a óleo, meio historicamente reconhecido por seu valor e prestígio. Ao retratar neste meio os corpos não humanos explorados e mais vulneráveis, tento dar-lhes valor e voz”, justifica.

Paula Meninato faz isso de forma tocante ao retratar animais nas piores situações possíveis, mas invisíveis pela normalização dessa realidade. Afinal, esse tipo de opressão legitimada está associado aos hábitos que a humanidade insiste em preservar, mesmo que isso signifique submeter outras criaturas sencientes a uma diversa e ao mesmo tempo uniforme vida de privação e sofrimento.

Paula defende que a arte pode ser usada para desmantelar as barreiras cognitivas que permitem a opressão sistêmica. “Aplico conceitos aprendidos com a pesquisa acadêmica sobre organização política, ativismo criativo e a psicologia das ideologias opressivas à minha arte”, explica.

E acrescenta: “Em seguida, uso minha arte como uma ferramenta para iniciar conversas sobre questões de justiça social e organização política. A arte pode fortalecer as pessoas, mudar ideologias e iniciar conversações de uma forma que complemente os protestos tradicionais.”

Utilizando o abstrato e o realismo, Paula Meninato convida o espectador a uma imersão em um universo que compõe a realidade por trás dos alimentos que as pessoas consomem no cotidiano.

São exemplos que se repetem todos os dias e sem previsão de fim com dezenas de bilhões de animais condicionados, confinados, transportados e abatidos para atender substituíveis predileções de consumo. E o preço a ser pago por produtos de origem animal que surgem a partir dessa subjugação, como a artista retrata, é muito mais caro para os outros animais do que para nós.

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