Paróquia realiza bingo em Campinas (SP) e oferece animais vivos como prêmios

No dia 15, a Paróquia Dom Bosco, de Campinas (SP), vai realizar no Sítio São José, na Estrada do Fogueteiro, o Bingo do Garrote

“O tratamento moral hoje conferido aos animais não humanos demanda de nós uma urgente readequação prática sob o risco de cristalizarmos abominações éticas hoje socialmente toleradas (Fotos: Getty)

No próximo dia 15, a Paróquia Dom Bosco, de Campinas (SP), realiza o Bingo do Garrote no Sítio São José, na Estrada do Fogueteiro. O evento tem incomodado defensores dos animais porque os prêmios em três rodadas serão um porco, um carneiro e um garrote.

O bingo começa às 13h, mas faz parte da programação uma missa que se inicia às 9h. As críticas têm girado em torno também do fato de que a Igreja Católica, tão conhecida por abordar a compaixão, é a idealizadora de um evento que reforça a objetificação animal ao atribuir a porcos, caneiros e garrotes o status de “prêmios”.

Vale lembrar que está tramitando na Câmara dos Deputados um projeto de lei do deputado Ricardo Izar (PP-SP) que prevê a proibição de sorteio e distribuição de animais como prêmios e brindes em eventos públicos ou privados.

De acordo com Izar, o projeto contesta o equivocado conceito de que animais, dotados de complexos atributos cognitivos e psíquicos, possam ser reduzidos a meras coisas ou objetos de natureza descartável. “Tal comportamento já não encontra hoje nenhum respaldo moral razoável”, defende.

O deputado cita a Declaração de Cambridge, que a partir de evidências científicas aponta que animais não humanos são dotados de todo o substrato necessário para a manifestação de complexos estados emocionais e conscientes – tal como observado em seres humanos:

“O tratamento moral hoje conferido aos animais não humanos demanda de nós uma urgente readequação prática sob o risco de cristalizarmos abominações éticas hoje socialmente toleradas, que a história e as gerações futuras haverão de nos condenar com ampla razão.”

Caso o PL 9911/2018 seja aprovado, quem infringir a lei terá de pagar multa de cinco mil reais por animal oferecido como “prêmio” ou “brinde”. Os valores recolhidos serão destinados ao custeio de ações e mecanismos de conscientização sobre os direitos animais – ou também destinados a instituições, abrigos ou santuários de animais.

No último dia 28, o deputado Célio Studart (PV-CE) foi designado como relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS). O parecer deve ser divulgado em breve.

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