O pecuarista que desistiu de enviar animais para a morte

Documentário "The Last Pig", que tem um caráter lírico e filosófico, apresenta os conflitos de um homem imerso na realidade da exploração animal

O título do filme é uma referência ao último porco que Comis enviou para o abate (Imagem: Divulgação)

O documentário “The Last Pig”, de Allison Argo, conta a história do pecuarista estadunidense Bob Comis, que abandonou a criação de animais para consumo. O título do filme é uma referência ao último porco que Comis enviou para o abate – uma experiência que, segundo ele, vai ficar marcada para sempre em sua memória.

A obra, que tem um caráter lírico e filosófico, apresenta os conflitos de um homem imerso na realidade da exploração animal, que chega a um ponto de sua vida em que criar animais para enviá-los ao abate deixa de ser uma opção e apenas um negócio. Na realidade, se torna um pesadelo em que a mercantilização da vida passa a ser encarada como um terror por quem já não vê nada além de violência e culpa na própria atividade profissional.

Em um de seus relatos sobre a sua experiência como criador de porcos, Bob Comis se recorda de um dia em que antes das nove horas, no momento em que estava saindo para remover a neve para alimentar e hidratar os “porcos felizes”, os dez porcos que ele deixou no dia anterior no matadouro já haviam sido baleados na cabeça com uma pistola pneumática.

“Então uma faca excepcionalmente afiada foi mergulhada em seus corações palpitantes, de forma a fazer toda a sua vida se esvair com o sangue que percorre suas veias e artérias, criando uma densa e dispersa camada vermelha carmesim no chão de concreto cinzento do matadouro”, narra.

Bob Comis diz que é assombrado pelos milhares de animais que enviou para a morte, e que mesmo tendo desistido dessa vida, a realidade pregressa não se desvanece. “Há um mês, tive a minha última crise de consciência, em uma década de crises de consciência mais ou menos intensas. Tendo abandonado o último vestígio do que parecia ser a justificativa legítima, baseada na felicidade e na rápida morte indolor, me tornei vegetariano”, confidencia Comis.

Saiba Mais

Porcos criados para consumo podem viver de 15 a 20 anos, embora sejam mortos com cinco a seis meses de idade. Ainda recém-nascidos, reconhecem a voz da própria mãe. Além disso, suínos são animais sociais que vivem em rebanhos e são capazes de resolver problemas, aprender símbolos e desenvolver a capacidade de memorização.

1 COMENTÁRIO

  1. Amante das manchetes e artigos de
    documentários, eu viajo pelo mundo
    da imaginação literária. A comunicação
    impressa ,bem como, a auditiva, eleva-
    nos num patamar de reconhecimento
    e respeito na sociedade de fatos

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