Porcos são mais inteligentes do que pensamos

Suínos não são apenas curiosos e têm boa capacidade de aprendizado, mas possuem uma boa memória de longo prazo

“O experimento mostra que os porcos podem se lembrar de estímulos visuais e responder adequadamente” (Foto: Jo-Anne McArthur/Farm Sanctuary)

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Messerli, vinculado à Universidade de Viena, na Áustria, provaram que os porcos são mais inteligentes do que pensamos. Segundo o estudo “Pigs (Sus scrofa domesticus) categorize pictures of human heads”, publicado pelo Jornal da Sociedade Internacional de Etologia Aplicada, os suínos não são apenas curiosos e têm boa capacidade de aprendizado, mas possuem uma boa memória de longo prazo. Também conseguem enganar deliberadamente outros porcos e podem antecipar necessidades e intenções.

Até a conclusão do estudo dos pesquisadores do Instituto Messerli, não havia nenhum trabalho conclusivo sobre a boa capacidade de percepção e discriminação visual por parte dos porcos. Tudo indicava que a capacidade dos suínos era muito limitada nesse aspecto.

Porém a nova pesquisa revela que porcos conseguem reconhecer diferenças tanto na parte frontal de uma cabeça humana quando na parte posterior. “O experimento mostra que os porcos podem se lembrar de estímulos visuais e responder adequadamente”, informa.

O estudo liderado pelo pesquisador Ludwig Huber foi realizado com dois grupos de suínos e cada animal recebeu fotografias de 16 cabeças humanas. Em vez de simplesmente armazenarem imagens em suas memórias, os porcos usaram também um conceito geral de visão frontal ou posterior.

No teste que compreendeu 80 tarefas, os porcos provaram ter grande capacidade de aprendizado, de uso de recursos bidimensionais na tomada de decisões e de desenvolvimento de novas habilidades de reconhecimento visual. Com exceção da série final de testes, eles foram capazes de identificar mais de 80% das combinações de rostos e parte posterior das cabeças apresentadas em fotos.

Os porcos também mostraram preferências bastante diversas quanto às pistas discriminatórias usadas, o que indica uma abordagem individual muito flexível para resolver tarefas específicas.

Segundo a pesquisa, essas descobertas sugerem que estimular diferentes sentidos, especialmente visuais, constitui um tipo de enriquecimento cognitivo que pode desempenhar um papel importante na melhoria do bem-estar dos suínos domesticados que vivem em sistemas habitacionais.

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