Premiado cineasta lança este mês documentário sobre testes em animais

Alex Lockwood: “Com o filme ‘Test Subjects’, explorei histórias de cientistas que tiveram experiências de testes em animais em primeira mão"

No ano passado, um estudo divulgado por um grupo de análise formado pela Elsevier, maior editora de literatura médica e científica do mundo, e pela Bayer, gigante do ramo farmacêutico, reconheceu que testes em animais podem ser ineficazes (Fotos: Reprodução)

O premiado cineasta Alex Lockwood, vencedor do BAFTA na categoria melhor curta-metragem com o filme “73 Cows”, que conta a história de um ex-pecuarista que decide se tornar vegetariano, lança no próximo dia 20 o documentário “Test Subjects”, que discute os testes em animais.

O filme parte da realidade de três pesquisadoras que decidiram se dedicar à ciência, na busca por fazer uma real diferença na saúde humana. Frances, Emily e Amy acreditavam que os testes em animais eram uma parte necessária de suas pesquisas, até que lentamente começaram a questionar a validade da prática.

“Com o filme ‘Test Subjects’, explorei histórias de cientistas que tiveram experiências de testes em animais em primeira mão e que agora querem falar e compartilhar suas histórias”, informa Lockwood.

Segundo o cineasta, embora os testes em animais ainda sejam amplamente aceitos e reconhecidos como “um mal necessário”, isso pode estar bem distante da realidade.

“Espero que esse filme ajude a desafiar essa crença e lance luz sobre o fato de que testes em animais são predominantemente ineficazes quando se trata da saúde humana”, frisa.

No ano passado, um estudo divulgado por um grupo de análise formado pela Elsevier, maior editora de literatura médica e científica do mundo, e pela Bayer, gigante do ramo farmacêutico, reconheceu que testes em animais podem ser ineficazes.

O trabalho, intitulado “A big data approach to the concordance of the toxicity of pharmaceuticals in animals and humans”, que avaliou 1,6 milhão de reações adversas reportadas aos reguladores da União Europeia e dos Estados Unidos, foi publicado no Journal of Regulatory Toxicology and Pharmacology.

Os pesquisadores descobriram que testes em animais podem não garantir reações únicas relatadas em animais e em humanos. O estudo revelou que algumas das reações em animais após os testes nunca haviam sido observadas em um ser humano, e vice-versa.

“Todas as empresas de ciências da vida desejam diminuir os testes em animais, e com a pressão contínua dos governos, sociedades e grupos de bem-estar animal, as organizações farmacêuticas estão explorando maneiras de fazer isso”, disse o diretor de serviços científicos da Elsevier, Matthew Clark a PharmaTimes.

No mundo todo, organizações, estados e países estão adotando medidas para reduzir os testes em animais. Alguns estão indo além, lutando pelo banimento da prática, que já tem sido substituída por novas tecnologias que envolvem triagem de alta produtividade, modelos computacionais e chips baseados em cultura de células e tecido humano.

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