Campanha de reeleição do primeiro-ministro na Austrália inclui combate a ativistas veganos

Morrison quer que ativistas veganos que "incitem atividades criminosas" sejam punidos com pena de até 12 meses de prisão

Morrison vê o ativismo vegano como uma ameaça ao “sustento dos agropecuaristas e de muitos trabalhadores que, segundo ele, dependem da criação de animais e da indústria de alimentos de origem animal (Fotos: news.com.au)

O primeiro-ministro conservador Scott Morrison, que concorre à reeleição no dia 18 de maio, não nega a sua antipatia por veganos. E segundo a imprensa australiana, isso parece ter se intensificado ainda mais após uma série de protestos na semana passada, quando ativistas veganos foram às ruas de cidades dos estados de Queensland e Victoria pedir que a população se informe mais sobre a realidade dos animais criados para consumo.

Bloqueando temporariamente algumas vias, eles pediam que as pessoas assistissem ao documentário “Dominion”, de Chris Delforce, que mostra a realidade da massiva criação de animais na Austrália. No entanto, as manifestações não agradaram o primeiro-ministro, que as qualificou como uma arbitrariedade e deu aval à polícia para que prendesse os “maiores agitadores”.

O que irritou ainda mais Morrison foi saber que a Aussie Farms, empresa responsável pela produção do documentário “Dominion”, disponibilizou em seu site um banco de dados com mais de 14 mil fotos, vídeos e documentos de investigações realizadas na Austrália, além de um mapa interativo que mostra a localização de mais de cinco mil fazendas industriais e matadouros em todo o país.

O objetivo, segundo a Aussie Farms, é mostrar que o sofrimento dos animais criados nesse sistema não se resume a exceções, fatos pontuais. A iniciativa é resultado de um trabalho de oito anos do cineasta e ativista Chris Delforce.

Ao disponibilizar os arquivos envolvendo as fazendas industriais e os matadouros, a intenção da organização também é forçar as empresas a atuarem com transparência, já que a realidade da cadeia de produção de alimentos de origem animal normalmente está bem distante dos consumidores.

“Acreditamos na liberdade de informação como uma ferramenta poderosa na luta contra o abuso e a exploração de animais. Defendemos que os consumidores têm o direito de saber da existência, localização e operações desses negócios”, justificou Delforce.

No entanto, a leitura feita pelo primeiro-ministro está longe de ser a divulgada e defendida por Chris Delforce. Morrisson interpreta o trabalho da Aussie Farms como uma ameaça ao “sustento dos agropecuaristas e de muitos trabalhadores que, segundo ele, dependem da criação de animais e da indústria de alimentos de origem animal”.

O primeiro-ministro afirmou, segundo o 9News, que os fazendeiros estão sendo alvejados da forma mais mercenária por uma organização que só pensa em si mesma e não nos danos reais causados à subsistência de australianos trabalhadores. Na sequência, ele prometeu, valendo-se de sua plataforma de campanha, e caso seja reeleito, introduzir leis proibindo pessoas de “incitarem atividades criminosas contra produtores rurais sob pena de prisão de até 12 meses”.

Por outro lado, para os ativistas veganos australianos essa medida é uma forma que o “governo encontrou de impedir ações que possam expor ao público a cruel realidade vivida pelos animais”; e também inibir o público de conhecê-la de perto sob o risco de alguma penalidade, já que pode não haver clareza no que deve ou não se enquadrar como ameaça ou incitação de atividades criminosas. Além disso, a legislação deve endurecer penalidades contra ativistas que praticam ações diretas.

Na última sexta-feira, as leis de segurança da Austrália já passaram por alterações que podem criminalizar o site da Aussie Farms por publicar endereços de fazendas. Por outro lado, o procurador-geral Christian Porter, destacou, segundo o 9News, que as mudanças não podem penalizar jornalistas e denunciantes que revelarem condutas ilegais na cadeia de produção de alimentos de origem animal.

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