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Privatização pode piorar situação dos animais em zoológico de SP

“O empresário buscará sempre maior fluxo de consumidores no ambiente, com economia nos custos, o que ocasionará mais debilidade aos animais” (Foto: Fábio Rogério)

Por meio do projeto de lei 529/2020, o governador de São Paulo, João Doria, defende a privatização da Fundação Parque Zoológico de São Paulo. A medida tem preocupado ativistas dos direitos animais partindo do entendimento de que na busca pelo lucro um zoológico privado tende a ser menos condescendente com os animais que já vivem a dura realidade do confinamento e do estresse. Afinal, há uma tendência a utilizá-los ainda mais como recursos na atração de visitantes.

O movimento Nação Vegana Brasil destaca que zoológicos não são ambientes adequados para os animais, já que eles são mantidos em um espaço de confinamento que está longe de representar o seu habitat real. Conciliando isso com um interesse empresarial, a situação pode se tornar ainda pior.

“Isto representa a mercantilização de um sistema já obsoleto de diversão, o que implicará na busca de lucro. Assim, o empresário buscará sempre maior fluxo de consumidores no ambiente, com economia nos custos, o que ocasionará mais debilidade aos animais e potencializará o surgimento e transmissão de zoonoses aos humanos”, avalia o Nação Vegana Brasil.

O movimento também lembra que a frequente exposição aos turistas já cria um cenário desconfortável para os animais. “O que não é de conhecimento geral também é que animais silvestres com baixa imunidade e mantidos de maneira permanente em um ambiente como um zoológico representam risco sanitário, ou seja, um local com grande potencial de transmissão de zoonoses”, acrescenta.

Defesa pela implantação de mais santuários da vida silvestre

A defesa dos ativistas é pela não aprovação do PL de Doria e também pelo incentivo à implantação de santuários da vida silvestre sem visitação pública, com foco no cuidado e recuperação de animais debilitados ou impossibilitados de retornar à natureza.

“Entendemos que muitos desses animais não terão mais condições de retornar ao seu habitat, estando aí a importância da luta pela manutenção desses espaços de confinamento, zoos, porém sem o caráter de entretenimento, até que todos os animais sejam transferidos a santuários.”

O Nação Vegana Brasil lembra ainda que atualmente o Brasil não dispõe de um bom número de santuários para abrigar animais silvestres. “Mas não devemos medir esforços em garantir a manutenção dos santuários existentes e também buscar junto aos poderes legislativo e executivo meios de garantir essa transição com infraestrutura adequada para comportar esse novo modelo, para que os animais possam ter uma vida digna e o mais próximo possível do seu habitat real, livre de exploração humana.”

David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

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