Por meio do projeto de lei 529/2020, o governador de São Paulo, João Doria, defende a privatização da Fundação Parque Zoológico de São Paulo. A medida tem preocupado ativistas dos direitos animais partindo do entendimento de que na busca pelo lucro um zoológico privado tende a ser menos condescendente com os animais que já vivem a dura realidade do confinamento e do estresse. Afinal, há uma tendência a utilizá-los ainda mais como recursos na atração de visitantes.
O movimento Nação Vegana Brasil destaca que zoológicos não são ambientes adequados para os animais, já que eles são mantidos em um espaço de confinamento que está longe de representar o seu habitat real. Conciliando isso com um interesse empresarial, a situação pode se tornar ainda pior.
“Isto representa a mercantilização de um sistema já obsoleto de diversão, o que implicará na busca de lucro. Assim, o empresário buscará sempre maior fluxo de consumidores no ambiente, com economia nos custos, o que ocasionará mais debilidade aos animais e potencializará o surgimento e transmissão de zoonoses aos humanos”, avalia o Nação Vegana Brasil.
O movimento também lembra que a frequente exposição aos turistas já cria um cenário desconfortável para os animais. “O que não é de conhecimento geral também é que animais silvestres com baixa imunidade e mantidos de maneira permanente em um ambiente como um zoológico representam risco sanitário, ou seja, um local com grande potencial de transmissão de zoonoses”, acrescenta.
A defesa dos ativistas é pela não aprovação do PL de Doria e também pelo incentivo à implantação de santuários da vida silvestre sem visitação pública, com foco no cuidado e recuperação de animais debilitados ou impossibilitados de retornar à natureza.
“Entendemos que muitos desses animais não terão mais condições de retornar ao seu habitat, estando aí a importância da luta pela manutenção desses espaços de confinamento, zoos, porém sem o caráter de entretenimento, até que todos os animais sejam transferidos a santuários.”
O Nação Vegana Brasil lembra ainda que atualmente o Brasil não dispõe de um bom número de santuários para abrigar animais silvestres. “Mas não devemos medir esforços em garantir a manutenção dos santuários existentes e também buscar junto aos poderes legislativo e executivo meios de garantir essa transição com infraestrutura adequada para comportar esse novo modelo, para que os animais possam ter uma vida digna e o mais próximo possível do seu habitat real, livre de exploração humana.”
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