Quando Richard Wagner se sensibilizou com a crueldade contra os animais

"É terrível perceber como nossas vidas, como um todo, permanecem viciadas no prazer"

“Tenho observado a maneira como sou empurrado em direção à empatia pela miséria” (Foto: Reprodução)

Recentemente, enquanto eu estava na rua, meus olhos foram surpreendidos por uma cena em uma loja. Sem pensar, observei as mercadorias empilhadas e a limpeza, quando tomei consciência de um homem puxando uma galinha de dentro de uma gaiola. No mesmo instante, outro homem colocou sua mão dentro de outra gaiola e simplesmente arrancou a cabeça de uma galinha ainda viva.

O grito pavoroso do animal e os lamentáveis e mais fracos sons queixosos de terror me paralisaram e transfixaram minha alma. Desde então, sou incapaz de me livrar dessa impressão. É terrível perceber como nossas vidas, como um todo, permanecem viciadas no prazer, um prazer que repousa em um poço sem fundo da cruel miséria humana. Desde então, minha sensibilidade aumentou.

Tenho observado a maneira como sou empurrado em direção à empatia pela miséria; uma força que me inspira simpatia e me toca profundamente na medida em que desperta em mim um sentimento de quem reconhece o sofrimento de um companheiro. E vejo nesse sentimento o crescimento do meu ser moral e, presumivelmente, essa é a fonte da minha arte.

Página 47 do livro “Richard Wagner to Mathilde Wesendonck”, publicado em 1905, e que reúne o conteúdo de cartas que Richard Wagner, um dos compositores mais importantes do romantismo alemão, escreveu à escritora Mathilde Wesendonck, que teve cinco de seus poemas transformados no ciclo de canções “Wesendonck Lieder”. Wagner é mais conhecido internacionalmente por suas obras “Tristão e Isolda” e “O Anel dos Nibelungos”.

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