Roma Velarde, quando a arte expõe a violência contra os animais

Artista espanhola utiliza suas habilidades para tornar visível a violência e as injustiças sofridas pelos animais nas nossas relações de consumo

Justificativa para o trabalho em prol dos animais é bem simples. “Eles não podem se defender”, resume (Artes: Roma Velarde)

A artista espanhola Roma Velarde há anos utiliza suas habilidades para tornar visível a violência e as injustiças sofridas pelos animais nas nossas relações de consumo. A justificativa é bem simples. “Eles não podem se defender”, resume.

As pinturas e ilustrações da artista vegana são facilmente encontrados pela internet. Seu trabalho já foi utilizado para fortalecer inúmeras ações em defesa dos direitos animais, tanto na Espanha quanto em outros países. E nem poderia ser diferente, já que Roma Velarde faz críticas bem objetivas e honestas à realidade que precede nossos hábitos que envolvem a exploração de animais.

Suínos que nascem em confinamento e vivem dessa forma até o momento em que são abatidos para consumo humano; a violência de uma pistola pneumática no processo de obliteração de vidas no contexto da indústria da carne – onde subjugamos animais que, de alguma forma, ainda esperam pela nossa empatia – são exemplos do que a artista espanhola retrata visando conscientizar e sensibilizar o espectador.

Até onde vai nossa capacidade de desconsideração?

Outras de suas obras impactantes sobre fatos pouco considerados da produção dos alimentos de origem animal mais consumidos pela humanidade incluem uma ave sem bico depois de tê-lo parcialmente removido no contexto da indústria de ovos (prática comum e dolorosa); e a indiferença humana diante de um prato, onde há nulo ou pouco esforço inerente de conexão entra o que se come com uma vida roubada na precocidade.

Até onde vai nossa capacidade de desconsideração em relação ao sofrimento de outras espécies? É justificável matar para se alimentar? Roma Velarde defende que não e nos convida a inúmeras reflexões sobre as consequências de hábitos que há muito naturalizamos, mas sem a preocupação de reavaliá-los sob uma equação de consideração que pesa também o que é importante para o outro.

Ele também não deseja viver tanto quanto eu? Será que sua dor deve continuar sendo ignorada no tempo presente? Sempre é tempo de estender nossa capacidade de sentir empatia por animais largamente reduzidos a alimentos e outros produtos, bastando um pequeno e recompensador esforço; e é isso que Roma Velarde granjeia por meio de uma arte que visa estimular em nós uma franca possibilidade de mudança.

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