Segundo ministra, agropecuária contribuirá com “economia verde”

“Por meio de iniciativas sustentáveis, o Brasil continuará a fortalecer a agropecuária, um dos setores mais vulneráveis à mudança do clima” (Fotos: Wenderson Araújo/Daniel Beltrá)

Na segunda-feira (25), durante o lançamento do Programa Nacional de Crescimento Verde, uma iniciativa dos ministérios do Meio Ambiente e da Economia, a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse que o agronegócio “caminha para ser protagonista” do desenvolvimento de uma “economia verde” no Brasil. E, segundo ela, terá papel determinante da agropecuária.

“Por meio de iniciativas sustentáveis, o Brasil continuará a fortalecer a agropecuária, um dos setores mais vulneráveis à mudança do clima”, destacou.

Vale lembrar que em relação ao sistema alimentar global a pecuária é apontada na maioria das pesquisas como a maior vilã do meio ambiente e da sustentabilidade com base em fatores como emissões de carbono, desmatamento, degradação e subutilização do solo, desperdício de recursos naturais e perda de biodiversidade.

No entanto, a ministra, que também é agropecuarista, disse que até 2030 a meta do setor agropecuário é reduzir suas emissões de carbono em 1,1 bilhão de toneladas com a “adoção de tecnologias de produção sustentável”.

Pensando no futuro

Com o aumento anual da produção animal, como isso será possível se hoje o sistema já não comporta sustentabilidade porque o número de animais criados e alimentados para fins de consumo é bastante elevado? Nesse ritmo, imagine o que acontecerá em 10, 20 anos.

Não seria mais fácil iniciar um processo de redução da produção agropecuária e direcionar investimentos para outros segmentos da agricultura que já são essencialmente melhores para o meio ambiente?

“A agricultura brasileira é descarbonizante, e a neutralidade de carbono caminhará a passos largos”, acrescentou a ministra. Para fortalecer ainda mais a agropecuária foi criada a Cédula de Produtor Rural (CPR) Verde, que na prática é uma iniciativa que consiste em “pagamentos por serviços ambientais prestados”.

Tereza Cristina a classificou como um “incentivo ao produtor rural” que não contribuir para a destruição do meio ambiente, mas sim “para sua preservação”. Mas isso não deveria ser obrigação associada a qualquer atividade agrícola?

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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