
Alguém diz: “Não quero mais ser chamado de vegano por causa das pessoas, por causa da indiferença de alguns, ações com as quais não concordo, por causa do ódio de outros e de alguns grupos.”
Em situações assim, vale o entendimento de que não compensa se incomodar tanto com o que as pessoas acham ou deixam de achar sobre você ser vegano – sejam elas não veganas ou mesmo veganas, a não ser que tenham razão em suas observações pontuais.
Mas nesse caso podemos sempre buscar o aperfeiçoamento. Por outro lado, se você sabe o significado do veganismo e o pratica, isso é o mais importante.
Você não precisa ser aceito por todo mundo
O veganismo não é um grupo em que você precisa ser aceito por todo mundo ou concordar com todos em relação a tudo. É um movimento, e com pessoas com opiniões e linhas de ações diferentes em inúmeros aspectos. Sim, há conflitos nesse meio, o que é normal.
Mas há sempre condições de melhorarmos ou de aprendermos mais. O mais importante é ter a motivação para entender que a mensagem mais importante é de que os animais não devem ser vistos como objetos, comida, mão de obra, entretenimento. Enfim, meios para um fim, e que podemos contribuir e fortalecer um conceito de unidade.
Não há motivo para desacreditar no veganismo. Porém, como se trata de um movimento baseado em pessoas, logo diverso, as divergências sempre existirão, e cabe a nós estarmos preparados para lidarmos com isso.
O mais importante é entender o veganismo
Buscar uma normatização ou uniformidade nesse sentido não é apenas utópico como talvez até mesmo sem sentido quando falamos de algo de proporção global, e que perpassa por inúmeras diferenças culturais.
O mais importante é as pessoas terem consciência do que estão fazendo, entenderem o veganismo, serem veganas e se aperfeiçoarem em relação a isso. Se alguém quiser falar que você não é vegano ou que não está fazendo uma “grande diferença”, por que se incomodar tanto com isso? O que é mais importante, a prática ou a acusação?
Interessante em promover o veganismo e no fato de as pessoas definirem-se como veganas é que isso permite que os outros logo façam uma rápida associação com o que rege esse imperativo moral, que é a luta pelos direitos animais e pela libertação animal a partir da recusa em utilizá-los como meios para um fim.
Tenha cuidado ao apontar o dedo
Tenho sempre o cuidado de não achar que o que faço em prol do veganismo também deve ser feito pelos outros. Este sou eu explorando o que encaro como minhas potencialidades. As dos outros podem não ser as mesmas, e devo respeitar isso.
Apontar o dedo para o outro sem conhecer a sua real contribuição ou se negar a reconhecê-la me parece sempre um erro e que poderia ser evitado com a clássica razoabilidade.
Há quem critique quem não faz ativismo de rua, quem não tutela ou resgata animais, entre outras coisas. Parece que há sempre motivos para desmerecer o outro em vez de incentivá-lo, motivá-lo.
Será que conhecemos ou entendemos a luta do outro?
Mas será que conhecemos ou entendemos a luta do outro o suficiente para criticá-lo ou menosprezá-lo? Esses conflitos não podem ser também um indicativo do ser humano se colocando acima dos outros? Colocar-se acima dos outros será que combina com o veganismo?
Será que o outro não faz algo que eu ou você não fazemos? No mais, o veganismo vem se fortalecendo em um contexto diverso, e cada dia que passa mais pessoas ficam sabendo, mesmo que seja de maneira superficial, o que é um vegano.
Isso é bom porque é uma evidência de uma nova consciência em relação à forma como tratamos e devemos tratar os animais. Na minha opinião, o equilíbrio e a ponderação são capitais – absorver o que vale a pena e descartar o que não vale.