Somos a maior ameaça aos animais

Afinal, nenhuma outra espécie subjugou e dizimou tantas outras na história do planeta Terra

“Quem ataca e quem abusa de quem? Quem é uma ameaça para quem?” (Fotos: Natureguy/Dollar Photo Club/El País/MFA/WAP)

Nossa sociedade é tão estranha e está tão imersa na legitimação da arbitrariedade que quando um animal se defende de um ataque humano a reação mais usual é julgar que o animal atacou o humano, ou pelo menos dar muita ênfase nisso, como se este não o tivesse atacado. Assim, faz parecer de alguma forma, fundamentada em realidade artificiosa, que a vítima é o humano “atacado” pelo animal.

Ignora-se que, na maioria das vezes, o ser humano é morto por animais silvestres simplesmente porque assume riscos tolos, vis e desnecessários. Ainda assim, o número de ataques de animais a seres humanos nem se equipara ao oposto.

Afinal, nenhuma outra espécie subjugou e dizimou tantas outras na história do planeta Terra. Domesticamos mais de 90% dos grandes animais, eliminamos cerca de 75% dos mamíferos há 15 mil anos, conforme informações do livro “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade”, de Yuval Noah Harari; e mesmo com o surgimento da civilização, continuamos matando muitos animais silvestres.

Estamos em 2019, e compartilhamos o mesmo planeta, país, estado ou cidade com pessoas que, de repente, simpatizam com a caça esportiva ou admiram troféus de caça. Ou pelo menos concordam com a chamada “caça de conservação” ou “controle populacional”, que também não deixa de ser um pretexto para a matança se quem a pratica sente prazer em exercê-la – orgulhosamente exibindo suas armas, “seus cães” de rastreamento ou captura; que podem nem mesmo retornar depois de condicionados a tomarem parte na barbárie, na contumácia da incivilidade.

Há também aqueles que defendem o consumo de “carne de caça”, como se um retorno a um suposto estado primitivo aproximasse o ser humano de qualquer vocação, que nada mais é do que uma obstrução moral e uma distorção historicamente social de diferenciação contextual, e que sobretudo não faz sentido na realidade em que vivemos, considerando disponibilidade de alimentos.

E assim defende-se não apenas a violência contra animais domesticados, mas também contra aqueles que do ser humano prezam naturalmente pela distância evocada pela própria natureza e razão de estar no mundo. E como se não bastasse, domesticamos e modificamos geneticamente muitos outros para matar aos milhões e bilhões por ano para consumo. Sendo assim, quem ataca e quem abusa de quem? Quem é uma ameaça para quem?

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