Sul-africanos apostam em agricultura celular para acabar com abate de animais

"Mais de 60 bilhões de animais terrestres são abatidos a cada ano, e a maioria vive em condições de superlotação, insalubridade e são mortos de maneira cruel"

Startup aponta que desenvolvimento de proteínas alternativas é uma necessidade urgente (Fotos: Toronto Cow Save/Mzansi Meat)

Na África do Sul, a startup Mzansi Meat é a primeira do país a investir na agricultura celular e com um grande objetivo – acabar com o abate de animais para consumo produzindo carne cultivada.

“Mais de 60 bilhões de animais terrestres são abatidos no mundo todo para alimentação a cada ano, e a maioria vive em condições de superlotação, insalubridade e são mortos de maneira cruel”, aponta a startup fundada por Brett Thompson e Jay Van Der Walt.

A Mzansi Meat, que tem uma equipe formada por quatro mulheres e dois homens, também argumenta que o desenvolvimento de proteínas alternativas é uma necessidade urgente em um mundo em que a agropecuária já utiliza mais de 80% das terras agricultáveis e 30% do abastecimento mundial de água doce.

Antibióticos e método de produção 

O que também tem motivado a startup sul-africana a trilhar esse caminho é o uso de antibióticos na produção de carne. “Infelizmente, seu uso excessivo tem levado a um aumento de bactérias resistentes a antibióticos. Nosso processo de cultivo, por outro lado, não requer antibióticos e não gera hormônios do estresse [como ocorre na pecuária]”, destaca.

E acrescenta: “Nossos métodos de coleta de células são isentos de crueldade e, usando exclusivamente um meio de cultivo sem soro fetal e fatores de crescimento, você pode ter certeza de que nossos produtos terão um desenvolvimento rápido e sustentável.”

Uso de biomateriais 

A empresa explica que para alcançar esse objetivo tem utilizado uma combinação de biomateriais – como hidrogéis, celulose vegetal e culturas de leveduras para desenvolver os sabores e texturas da carne tradicional.

“Estamos comprometidos em seguir processos moralmente corretos e planejamos ser transparentes em relação aos métodos de cultivo de células. É nossa esperança nos tornarmos um guia para práticas de agricultura celular responsável e de produção de carne cultivada e sustentável na África.”

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